10/08/16

abraços intermitentes


Abraçam-se entre intermitências.
Às vezes ela repele-o porque às vezes ela arreda-se de tudo. Quer ficar em branco. Precisa de sentir o não sentir e lançar-se no vazio das formas e do todo.
Ele procura-a amiúde. Entre cigarros apagados a meio e papéis com contas em atraso.
Às vezes saem para tomar um copo. Ela de vestido comprido a lamber a calçada húmida. Ele de calças largas e cabelos em desalinho.
Sentam-se numa esplanada improvisada, fora da casa que não é deles e ficam ali a inverter as horas.
Quando regressam a casa, embriagados, abraçam-se mais. Em sítios pouco próprios, em sítios pouco usuais, em sítios que não conhecem, em sítios que se tornam sítios, no torpor do álcool e do desejo assumido.
Amam-se assim: intermitentemente, com álcool e abraços destemperados em sítios escondidos.

5 comentários:

ana disse...

tantas formas há de amar...

Laura Ferreira disse...

e de amor...

Manel Mau-Tempo disse...

gostei pra lá de muito :)

Laura Ferreira disse...

M M-T obrigada ;)

conta corrente disse...

Perfeito... para mim que sou um amante de abraços.

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