29/02/16

Frida

ontem revi o brilhante filme, realizado por julie taymor.
deliciei-me com cores, música, cheiros, planos.
com as animações retratadas, com a poesia da história.
além de admirar a obra dela, admiro-a como mulher.
fui deitar-me com a certeza ainda mais certa que sim, que é uma das viagens que terei de fazer.


26/02/16

(im)permeabilidade

sou muitíssimo permeável a más energias. pareço uma esponja.
absorvo-as como um íman.
aprendi, com o tempo, a relevá-las, a fugir delas, a não me deixar ficar de determinada maneira.
foi difícil de conseguir. levou-me anos de especulação e depois experimentação.
envolveu grande esforço psicológico e uma ginástica mental quase olímpica.
e obrigou, claro está, a um necessário distanciamento de certos momentos e pessoas.
desenvolvi, com a idade, um "remédio caseiro" cuja receita me faz sorrir e ficar serena.
a maior parte das vezes, hoje em dia, consigo antever momentos e reconhecer pessoas.
defendo-me. respiro fundo. faço o exercício mental, que aprendi como se fosse a tabuada.
e consigo manter-me a uma distância segura.

a vida também se faz destas coisas.
ou estas coisas é que fazem, inevitavelmente, parte da vida.



ando a caprichar por dentro

e o resultado tem-se visto por fora.

25/02/16

histórias-meninas

tenho o peito cravejado de histórias-meninas.
e tenho nas meninas dos olhos, tantas meninas-histórias.

custa, eu sei

mas há coisas que temos de deixar que voem.

24/02/16

na dúvida

faço sempre aquilo que sei fazer melhor.

tenho em mim todas as cidades do mundo.

fot. autor desconhecido / Paris.

23/02/16

plástico, chocolates e outras coisas a raiar o inútil

aposto que o Miguel Guilherme falará, um dia destes, na sua rubrica da TSF, de chocolates mars.
assim de repente, não como chocolates com regularidade.
faço-o quando estou carente de coisas doces. coisa que me acontece de longe a longe.
confesso que me irritou um nadinha, a questão do plástico e a retirada de mercado dos ditos chocolates.
porque é que também não limpam os oceanos?

hoje estou com vontade de me alargar na escrita. mas tenho ainda tanto que fazer...
sabe-me bem vir aqui de fugida e escrever, mesmo que seja a metro, meia dúzia de coisas inúteis.

por falar em escrever e por falar em coisas inúteis...um dia destes conto-vos de uma entrevista que vi/li do Alberto Manguel, a falar sobre leitura...


à noite, quando me deito

tenho conversas fluídas com as estrelas do tecto do nosso quarto.
guardo nas dobras dos sonhos, conversas e olhos que tiro dos dias.
perpetuo no quente do tecido que me tapa, odores, sabores e música.
condenso em rimas ,frases e rugas, histórias da vida
e faço a minha vida com essas histórias.

à noite, quando me deito,
sou uma amálgama de coisas
e quero que estas coisas
façam sempre parte de mim.

impossível viver sem ela.



22/02/16

Tokio 1965 Photo | Henri Cartier-Bresson


é bom

Alfred Grabner  The low water. 1933

é bom quando fugimos um pouco de nós
quando o eco das preocupações e obrigatoriedades fica fechado numa gaveta
e o nosso corpo paira livre num qualquer desconhecido confortante.

é bom quando nos reencontramos na paz 
com montanhas à volta, quente, lençóis alvos e gente pura.

18/02/16

16/02/16

rendimento básico incondicional e outras coisas que tal


Ontem, quando ia para casa, ouvi na rádio uma reportagem sobre o “rendimento básico incondicional”; o PAN (Pessoas, animais e natureza) irá trazer uma proposta para a criação de um estudo-piloto sobre o mesmo. Ainda que esta medida esteja a ser, ao que parece, seguida em alguns países europeus (suponho que a Finlândia é exemplo disso), assim de repente não me pareceu que Portugal tenha margem de manobra para tal.
Depois, à noite ouvi, nos Prós e Contras, vários testemunhos a relatar a extrema dificuldade de meios no que respeita aos Cuidados Paliativos e um testemunho franco e comovedor de uma pessoa que já fez voluntariado de cabeceira.
Acho que temos um problema enorme com prioridades, neste país.
Eu revejo as minhas, amiúde. Os governantes deviam fazer o mesmo.
Fui deitar-me a pensar em poupanças. Em prioridades. Em ganhos. Em perdas.
Até me deu para pegar nos bocadinhos de cremes, que me dão em embalagens pequenas, quando vou comprar os cremes grandes…

poemagens

phot. Koto Bolofo Vogue, 2006

há poemas que me rasgam a língua
me cortam ao meio
e me afogam, depois, em rios de água e correntes d'ar.

e depois ficam quietos
com ar solene
a olhar para os estragos que fizeram.

15/02/16

passou-me de repente pelo espírito


A idade traz-me rugas mas também traz decisões irrevogáveis.
Traz cabelos brancos mas também traz filtros inequívocos, nos sentidos.
E traz, de vez em quando, um suspiro de tranquilidade
feito de gatos, lareira acesa, amor, meias quentes e café acabado de fazer.

Boguslaw Strempelby


será que já chouveu tudo?

(autor desconhecido)

metade de mim já está à espera da primavera.

13/02/16

o amor consegue, às vezes, ser tão infinitamente bonito.

phot. by lisa wassmann

estou a contar os segundos para que chegues.
a casa respira o teu nome, a nossa cama fala a língua da tua paz.
os móveis e os brinquedos e os lápis dialogam entre si, com a vida que lhes ensinaste.
o pó dança nas sombras e o amor materializa-se nas paredes e nos quadros.
eu, ando entre divisões, a divisar momentos e memórias que lhes emprestei.
às vezes falo sozinha. às vezes rio sozinha.
pego num lápis e rabisco um projeto.
pego num livro e guardo-lhe, dentro, uma viagem de conversas.
às vezes sinto o cheiro da nossa vida.
às vezes falo fininho e assobio e rodo uma dança pequena
e às vezes sinto o abraço grande dos teus braços grandes.
é bom sentir estas coisas pequeninas que advêm do amor.

o amor consegue, às vezes, ser tão infinitamente bonito.

12/02/16

hoje gostava de ser tecido.


my photo.

benfica-porto, arroz de brócolos e telefonemas da minha mãe


Hoje é dia de jantar nos pais.
Também é dia de Benfica-Porto. Ou seja, dia de ter a televisão aos gritos, durante o jantar, porque o pappy ouve um bocadinho (muito) mal.
Portanto, dia de “cavalgaduras”, “animais do presépio” e outros nomes, pouco próprios, para escrever aqui.


A minha mãe já me ligou 2 vezes.
Uma era para saber se gosto de arroz de brócolos. Outra para dizer que a minha irmã também vai jantar.
Se bem a conheço há-de ligar-me outras tantas.
Sempre que o faz, põe-me um sorriso nos lábios.
Estes telefonemas pequeninos, da minha mãe, são beijos com o cheiro dela e com o morno da pele das mãos.

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