18/12/17

carta ao Pai Natal, 2017


Pai Natal,

Estive tentada a repetir a carta que te escrevi no ano passado, mas achei que me ias mandar bugiar.
Este ano não estou muito para cartas.
Escrevo cada vez coisas mais curtas, incisivas, pequenas e sintéticas.
Não sei se tem a ver com a idade, às vezes acredito que sim. Se calhar o que poupo hoje, em dias, em palavras, sobra-me depois para desejos, preces, introspeções e conclusões.
Também é justo. Na ventania dos vinte anos escrevi quilómetros. Ainda hoje me vejo à nora para ler a quantidade de rios, países e cidades que escrevi.
Hoje estou circunscrita ao que me diz, ao que me importa, ao que quero preservar e ao que conquistei, graças às minhas escolhas.
E o que me circunscreve é o mundo inteiro das minhas pequenas coisas: da família, das pessoas, da saúde, do amor, da amizade, dos livros, das malhas, do diálogo, dos animais, do aconchego, do encanto, da arte, da escrita, da vida.
Este ano não te peço nada. Não quero, não preciso. Tenho tudo aquilo que é importante, neste momento.
Vou ficar muito quietinha, para que nada deste meu mundo mexa, nesta quadra do Natal.
Não quero que mexa, preciso que não mexa.
Tenho tudo aquilo que é importante, neste momento.
(e acho que nunca na minha vida tive tanto.)

Boas Festas a todos vocês: os que estão comigo e os que me leem todos os dias e comigo se relacionam, por aqui.
Um beijo repenicado de Natal, com música de fundo. Escolham vocês.

Pode ser Frank Sinatra ou Dean Martin.
Rita Lee também calha bem. (na verdade Rita Lee calha com qualquer coisa…)

15/12/17

“Floating Houses” de Matthias Jung




Surpreendente, o trabalho de Matthias Jung.
As suas “Floating Houses” transportam-nos para sítios inusitados.
Como ele diz, e bem, os seus trabalhos são “pequenos poemas arquitetónicos”, intrincados e profundamente interessantes.

(Eu era moça para passar um fim-de-semana numa destas casas...)

My Foolish Heart



phot. Eric Benier Burckel

vi-a pulsar sem pulso, voar sem asas, chorar sem veias.
vi-a partir-se em duas, fechar-se em dias, abrir-se em rasgos.

vi-a fazer isto tudo
e depois vi quando se desfez
e depois ainda
depois
vi-a sarar-se num voo pleno e seguro.

aterrou na vida do costume

e, no dia seguinte, a Primavera já tinha voltado aos seus olhos.

12/12/17

Siri Hustvedt, “Aquilo Que Eu Amava”

É provavelmente um dos livros mais densos que já li.
Daqueles que me fazem voltar atrás. marcar o canto de uma página. suspirar e parar para ler uma coisa mais "leve". Rever um capítulo. Revisitar uma frase.

Siri Hustvedt conduz-nos pela história de duas famílias, através da voz de uma das personagens (masculina) e ilustra de forma pormenorizada e vibrante a situação da arte e as suas tendências na Nova Iorque dos anos 80.

É um livro que fala de relações familiares, de exposições e instalações, de dor, perda, descoberta e partidas. Sobre o Outono da vida, sobre a solidão.

Foi dos livros que mais demorei a ler.

Enora Lalet , “Cooking Faces”





São retratos efémeros e criações vivas, em palco, que combinam pintura corporal, design culinário, costura.
A comida é o ponto de partida e a escolha; depois segue-se um curioso processo de produção que envolve muitos géneros disciplinares e que culmina na criação de um quase “trabalho antropológico”, destacando as muitas culturas do mundo.

É daquelas coisas que muito gostaria de ver. Porque deve ser um assombro para os sentidos.

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