27/04/17

intimissimi

ando doida com a publicidade do novo modelo de soutien da intimissimi.
(vou comprá-lo hoje, olarilas)

a menina que está na fotografia é a Irina.
sou rapariga (bastante) sensível a moças bonitas e decotes ousados.


à hora de almoço quando passei pelo outdoor, parei a olhar para lá, embasbacada.
eu e mais uma dúzia de rapazes e homens.

coisas da escrita

Phot by Jack Davison.



Eu. Os meus olhos.
Um papel. Uma caneta.
E todas as histórias do mundo.

26/04/17

21/04/17

quarto com vista

my photo,

eu fazia o aquecimento antes da corrida.
aproximei-me deles.
ele pescava. ela estava parada perto dele. não fazia nada, ela.
a cadeira dele podia ser qualquer uma daquelas cadeiras.
a cadeira dela podia ser qualquer uma daquelas cadeiras.
- posso fotografar as cadeiras? - perguntei.
ele olhou-me sério e desconfiado.
ela sorriu-me num sorriso aberto de fim-de-tarde, espraiado e morno.
- pode, pois. - respondeu.
e eu assim fiz. disparei.
continuei a passo e depois a correr.
e as cadeiras ficaram ali, a olhar o rio.
a descansar entre o marulhar das águas e a dança dos pássaros.
cadeiras voltadas para o rio.
como se estivessem num quarto.
um quarto com vista.
sobre a cidade.



20/04/17

moro num país tropical

ando desde ontem a cantar esta música baixinho.
fiz o meu treino de fim de tarde com sol, chuva, trovoada e um calor abrasador vestido num céu de cores quentes.
a Primavera dilui-se num qualquer estado de tempo que nem parece o nosso tempo.
quando era miúda as estações tinham barreiras bem definidas e características próprias.
lembro-me que as atravessava com absoluta consciência do que exigiriam de mim.
hoje já não sei. tanto posso vestir uma blusa de alças e no dia seguinte um casaco quente de inverno.
a minha roupa anda às turras dentro dos armários para ver qual vai levar a melhor.
e o planeta anda às turras com o efeito de estufa e o aquecimento global.
estaremos a entrar numa era onde passará a haver uma só estação?

the essence of cities as seen by florian mueller



19/04/17

emocionalmente brasileiramente



Há artistas que para mim são como se fossem família porque me foram sempre próximos, desde que me lembro de mim.
Não sei onde ouvi o Roberto Carlos pela primeira vez mas foi decerto numa das primeiras vezes que ouvi música, talvez a par com os “Óculos de Sol”.
Sei que veio, a música dele – um disco de vinil - na mão do meu tio do Brasil, o Sr. Bordalo, como lhe chamavam, metido numa mala elegante no meio de camisas de linho, sapatos impecáveis, fatos de corte clássico e pozinhos de bom gosto a entremear essas coisas todas.
Sei que foi dado, o disco de vinil, a um dos meus irmãos. Mas como acontecia com todos os discos de música brasileira que ele trazia (e foram muitos e muito antes de se ouvirem cá), eu abarbatava-me a eles à cara podre e achava que eram meus e deles e dos que os cantavam sabia acordes, refrões, inflexões, manias.
Arranjava uma música para cada estado de espírito, para cada dia; pintava com elas – as músicas – a alegria, a solidão, os trabalhos de casa, os lanches no quintal, os minutos antes de adormecer, as viagens de carro, as conversas com as bonecas, as histórias inventadas e escritas na parte de trás dos papéis / guias de próteses dentárias do meu pai. O primeiro rímel, o primeiro beijo na boca, o primeiro desgosto de amor, o primeiro livro.

A música brasileira foi-me e é-me muitíssimo mais do que apenas música.
A música brasileira povoou a minha vida desde que me lembro das suas coisas mais bonitas.
Por isso é que deixou de ser música para passar a ser respiração.
Por isso é que exulto quando vejo um dos seus Grandes.
No dia 24 de abril vou meter-me, pequenina, nas horas de música que vou ouvir.
No dia 24 de abril o Roberto Carlos vai levar-me, nas suas canções, a fazer uma das viagens que mais gosto:
A música, eu, o Brasil, pequena, Grande, vida
Emoções.

18/04/17

mudanças

foram dias de.
cortei mais de metade do cabelo.
vi-me a braços com coisas (muito) difíceis.
olhei para coisas com olhos de outros.
ouvi e apreciei.
degustei e recusei.
desisti. insisti.
dormi sobre tudo e debati sobre tudo.
adormeci.
e (finalmente) acordei.

"mirage" house for desert X




‘Mirage’ house for ‘Desert X’, an outdoor and indoor art exhibition displaying sixteen artworks spreaded along the arid landscape of the Coachella Valley.  
by Doug Aitkens / American artist and filmmaker

13/04/17

boa Páscoa



 
ceci nest pas un portrait by miguel vallinas


eu vou fazer por isso.
vou trabalhar, ler, treinar, cozinhar, conversar, arrumar, cortar o cabelo.
são só 4 dias, mas terão de dar para tudo.
faço destas jornadas, desafios.

(ah, e claro que terei de ter tempo para por em dia os episódios do "Taboo" e "This is us".

12/04/17

quando eu for grande

ceci nest pas un portrait by miguel vallinas



quando for grande quero ter uma casa
uma casa, não,
uma senhora casa com quintal,
um cão,
um cão, não, vários cães, de olhos amigos
pássaros nómadas e pássaros inquilinos
pardais, pardalitos, andorinhas e melros,
um gato,
um gato, não, vários gatos
árvores várias de várias frutas com tamanhos variados
vizinhos simpáticos e vizinhos nem por isso
azulejos antigos na cozinha, uma claraboia nas escadas,
um corrimão polido de madeira
santos e coisas antigas a forrar paredes
livros para todos os gostos
discos a espreitar dos armários bonitos
um quarto de vestir com lugar para arrumar umas dezenas de sapatos
papel de parede rosa velho e muitas rosas espalhadas pelos jardins, em poses cinematográficas,
uma carreirinha de formigas obreiras, joaninhas que voam voam, abelhas matriarcas.


quando for um bocadinho mais grande do que aquilo que já sou
quero ter isto tudo
isto tudo, não,
isto tudo
contigo, com o nosso pequeno
e com todos aqueles que nos são grandes
e que nos caberão em todos os sítios desta grande casa.

11/04/17

modd by color or color by mood

phot. Nick Knight

o mood influencia a roupa ou a roupa influencia o mood?
já tenho parado a pensar nisto, quando de manhã abro o armário da roupa ou o armário da roupa me abre a mim.
há dias me que me apetece ir para o preto e branco. quando muito cinza. e a cor condiz comigo: a lassidão do corpo, o vagar da atitude. não me apetece ser notada, anseio ser saliva, semente, átomo.
há dias em que me deixo levar pelos tons pastel e dias há que me arrebatam os amarelos e os rosas: segreda-me a Primavera, aos ouvidos, bocadinhos de coisas divinas e resplandecentes e massajam-me de noite criaturas teatrais, que me enchem de vida, e grita a vida - querer ser possuída pela cor.

a Primavera tem este efeito em mim. sempre teve.
acho que sou compreendida pelas minhas gatas.
às vezes também pincham na vertical, entortam a cabeça e fitam o vazio com olhos redondos e de pupilas maiores que eles.
só não mudam de roupa porque não podem.




swirly flowers by mark mawson




10/04/17

bibloteca ambulante de histórias pequeninas


(autor desconhecido)

guardo todas.
um dia vou construir uma biblioteca ambulante
que venda papéis pequenos com histórias pequeninas.

09/04/17

da água dos meus dias

ilustr, sonia alins

foi bonita a água do meu dia de hoje,
a água que me lavou o corpo
a água que me morou nos olhos
a água que me fervilhou debaixo dos pés
a água que me sussurrou de longe, um namoriscar de terra.

é bonita, certa água dos meus dias.
são bonitos, certos dias da minha vida que se fazem de água.

06/04/17

ando com uma vontade estúpida de mudar para a costa do Algarve.



Jean-Michel Bihorel



Esculturas / figuras feitas de mármore rachado, em que os espaços são preenchidas com flores de hortênsia secas e folhas.
Uma técnica perfeita entre digitalização em 3D e modelagem materializada na mulher.

05/04/17

nãoqueatépodesersim



phot. by aryton p.
 
Sabes que mais?
E porque não?
Porque não esta cor?
Porque não este não, que afinal até pode ser sim?

Sabes que mais?
Hoje tenho tudo ao contrário e todas as cores invertidas.
Hoje estou sentada a trabalhar com o corpo direitinho
e tenho o cérebro e a alma e outras miudezas relativas à emoção
na minha praia do Trafal, no Algarve.

E porra, já estou bem morena.

livros e pessoas

phot. by Halim Al Karim


Há pessoas que me fazem lembrar livros.
Porque me dá vontade
de as ler sempre mesmo quando acho que já li tudo,
e de as guardar numa qualquer estante de mim.

04/04/17

música de hoje


mal saí do carro para vir trabalhar
uma qualquer amálgama de cheiros familiares e cores já pintadas e sons já lidos
atordoaram-me o equilíbrio aprendido do corpo, recto, já educado para trabalhar.

e lembrei-me desta música
e vim sentada nos acordes, enlevada na métrica, apaziguada na voz
e fui, fui trabalhar
com o corpo, recto em equilibro, já educado para trabalhar
e com a alma desfeita em Primavera



https://www.youtube.com/watch?v=vkecyCqqbXc


can i see?

collage by Ernesto Artillo


Não vejo nada.
Nunca verei nada.
Não posso querer ver nada.
À parte isso, tenho em mim todos os olhos do mundo.

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