06/01/17

conversas de joelhos


(autor desconhecido)

Conversavam muito, os joelhos de ambos.
Conversas intermináveis de pele, silêncios.
Pequenos toques, choques, suor…entre as duas superfícies.
Ele falava mais de cinema enquanto ela falava mais de livros.

Às vezes discutiam porque ele achava que o filme era melhor; ela era da opinião de que “o livro é sempre melhor”.
Afastavam-se.
O joelho dela era sempre mais amuado que o joelho dele.
Mas o joelho dele era mais brincalhão que o joelho dela.
Era sempre o joelho dele que tomava a iniciativa das conciliações.
Aproximava-se sorrateiro e deliciosamente sedutor e dava, no joelho dela, marradinhas apaixonadas e cheias de música.
E ela, deixava-se ficar pequena, sorria sem ele ver.
Arrepiava-se-lhe a pele dos braços e aquela pele fininha do pulso.
E, como gostava muito de música, envolvia-se na cantiga do joelho dele e deixava-se levar.
A cantiga de amor do joelho dele era, sem qualquer dúvida, a melodia que ela gostava mais.

6 comentários:

Moonchild disse...

Quando é assim, não há um joelho estranho, de fora, que os separe e muito menos que os encante...porque os joelhos deles são cúmplices de vida e para a vida!

Sorte desses dois terem uns joelhos assim!

beijo

bom dia

:)

Gaja Maria disse...

Não há melodia que o joelho dele trauteie que o dela não responda. Sintonia :)

Laura Ferreira disse...

Moonchild, sorte mesmo :)

um bom dia para ti

Laura Ferreira disse...

GM, e o contrário provavelmente também :)

Graça Pires disse...

A vertigem ajustada ao corpo, próxima da cumplicidade dos joelhos...
Uma semana boa.
Um beijo, Laura

Laura Ferreira disse...

Graça, que visão bonita a tua.

:) beijinho e boa semana

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