12/06/17

do cinema que se faz em Portugal



Há filmes que não me despertam qualquer curiosidade. “A canção de Lisboa”, versão 2016, era um deles, talvez pelo facto de ser fã incondicional da versão original.

Acabei por vê-lo este fim-de-semana, só com um olho (o outro estava no trabalho) e porque na verdade me apeteceu perceber porque é que sobre o mesmo já se teceram as mais díspares opiniões.

E na minha opinião, é um filme de clichés e estereótipos, um filme moderno onde não escapam as novas tecnologias, a política e os imigrantes. Mas é um filme que me faz lembrar outras comédias românticas que também vi só com um olho.
Não acho que o filme seja pretensioso. Materializa-se naquilo que quis ser, tem boa fotografia e o som não está nada mau; as cantigas do Miguel Araújo dão-lhe um ar ternurento e os atores brasileiros (da Porta dos Fundos) dão uma dinâmica irreverente e muitíssimo engraçada.

Gostei imenso do Miguel Guilherme mas não gostei nada do César Mourão no papel do Vasco Leitão.
Cada macaco no seu galho, o César pode ser bom a fazer muita coisa, mas conheço uma boa dezena de grandes actores que teriam feito este papel na perfeição. É que o Vasco interpretado pelo César nunca deixou de ser César e também só rondou (em poucos momentos) alguma sombra deste Vasco.

No que respeita aos restantes atores, vemos sempre os mesmos a fazer o mesmo.
Eu que sou atriz (nos tempos livres) fico triste porque as oportunidades ou seja lá o que seja são sempre dadas aos mesmos.Estou certa que há castings e que são dadas a todos as mesmas possibilidades, mas também sei que há pessoas que são escolhidas para que os filmes vendam.

Resumindo e concluindo:
Não tenho interesse em ver mais nenhum dos novos filmes. Fico-me pelos antigos, que são deliciosos e sao verdadeiras lições de interpretação.

O que mais gostei no filme:
o grande Ruy de Carvalho, na cena final, a reger a “orquestra” enquanto o elenco dança, sob outra música de Miguel Araújo e uma belíssima imagem de Lisboa que parece um retrato antigo.

13 comentários:

luisa disse...

Não vi. Não sei se verei. Tenho ido pouco cinema (eu que cheguei a ir a 2 sessões de seguida) e na TV também não vejo muito. Acho no entanto que devemos ver cinema português atual. Vendo os filmes portugueses, damos o nosso contributo para que o cinema feito por cá cresça.

Filhos do Desespero disse...

Também fiquei algo desiludido.
Talvez a culpa da desilusão seja a comparação com o riginal, que está genial, com esses dois monstro, António Silva e Vasco Santana :)

Mãe Maria disse...

tentei ver na TV mas não gostei. Gsto de ve filmes portugueses e tenho ido ver alguns, ultimamente. Ms não ter gostado destas novas versões deve ter tido influência em ter visto os antigos, tão deliciosos. Se calhar, tentamos fazer comparações, mesmo sem querer, que não resultam.

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, tive a oportunidade de ver o filme, tenho a certeza de quem viu o original (meu caso) não se entusiasmou com a nova versão, na minha opinião os autores no original são mais naturais, César Mourão não conseguiu aproximação no papel de Vasco Leitão, o que é compreensível, Vasco Leitão foi único num todo.
Feliz semana,
AG

Janita disse...

A nova versão não cheguei a ver, não me despertou interesse.
E vejo agora, pela tua opinião, que fiz bem!
O original vi-o vezes sem conta. Há actores que serão sempre inimitáveis...

Um beijinho, Laura, boa semana

Graça Sampaio disse...

Concordo a 100%!!
Eu vi O Pátio das Cantigas e enfim... não vejo mais nenhum...

AvoGi disse...

Não gosto de ver novas versões porque temos Um ideia formada dos actores e é difícil ver outros nesse papel
Kis :=)

redonda disse...

Não vi esta "segunda versão" e não tinha pensado vê-la, agora talvez pense em vê-la mas só com um olho :)


um beijinho e uma boa semana

Andreia Morais disse...

Ainda não o vi, mas tenho curiosidade!

r: Obrigada e igualmente :)

Ricardo Santos disse...

Vi e não gostei !!! Com tanto bom escritor e realizador não percebo, salvo o aspecto comercial de viver à custa de uma versão antiga e excelente, andarem a "profanar" filmes que fazem parte da História do Cinema e da Comédia Portuguesa, para quê ??? Sejam originais e criem coisas idênticas à "Gaiola Dourada" !

Anouk disse...

Olá,

Posso sugerir dois, um recente e outro mais ou menos?

- A Toca do Lobo (2015) da Catarina Mourão, documentário e autobiográfico
- Alice (2005) do Marco Martins, o mesmo realizador do São Jorge que saiu agora.

É que este, "O Pátio das Cantigas" ainda não fiz o esforço de ver - desconfio que não irei gostar.

Pode ser que goste. Se vir, diga-me a sua opinião. ;)

Victor Barão disse...

Ontem li este post e não comentei porque não vi o filme, a nova versão de, "A canção de Lisboa".

Mas houve algo que me ficou o resto da tarde a martelar a mente que foi a alusão da Laura a "serem sempre os mesmos a fazer o mesmo". Com relação ao que me foi então suscitado dizer que: de facto é sempre bom voltar a rever um bom actor/actriz a representar, um novo papel. Mas não raro e em diversos casos nacionais e internacionais dou por mim a sentir necessidade de novidade. É que como tudo o que é demais não presta, quando as caras são sempre as mesmas, ainda que em papeis diversos, salvo sejam obras e/ou representações absolutamente excepcionais, de resto chega a um ponto em que já se está a ver mais o/a actor/actriz do que a personagem. Isto com base na minha experiência e leiga perspectiva própria. Inclusive a novidade a este nível dum/a novo/a interprete, ao menos em alguns casos e a meu ver/sentir, contribui por si só para a ilusão de realidade enquanto subjacente a uma obra de ficção ou de realidade ficcionada, porque é como se estivessemos a conhecer tão só a personagem para além do/a actor/actriz.

Enfim, ainda que isso depois retirasse trabalho aos mais conhecidos e/ou veteranos, mas um pouco mais de equilíbrio entre o conhecido e a novidade não estaria mal em absoluto, bem positivamente pelo contrário!

Em qualquer caso boa sorte, oh perdão mas creio ser mais correcto se disser muita m... para a Laura nas suas lides de actriz :)

Victor Barão disse...

O final do meu comentário acima, soa-me melhor como: "(...)muita m... na carreira representativa da Laura :)"
sendo também este o resultado de eu escrever (muito) de forma improvisada, de vez em quando sinto necessidade de auto corrigir-me _ obrigado pela paciência e compreensão.

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