24/10/17

sem título


phot. Deborah Sheedy

Pensa: talvez escrevendo à mão consiga, através do material de que é feito o lápis ou a caneta, talvez consiga impregnar as palavras de uma qualquer coisa mais urgente e significativa, como se a tinta ou a essência do que pinta pudesse trazer uma melhor notícia.

Talvez a mão dela tenha essa capacidade de as reinventar – as boas noticias ou, melhor ainda e ainda mais importante - travar a dor e dizer-lhe "Basta!" a essa dor que lavra em certas vidas.

18/10/17

obrigações, desejos e árvores


Ao escrever hoje a data de maturidade de um instrumento financeiro de divida num ficheiro, a ocorrer a 21 de março de 2018, perguntei-me o que estarei a fazer nesse dia, nesta empresa.
Perguntei-me também se todos aqueles que me são próximos e que neste momento sofrem estarão nessa data mais aliviados.
Perguntei-me quantas árvores novas terá a nossa floresta.
Perguntei-me se o meu pai estará ainda comigo, acabando de fazer 90 maravilhosos anos.

Quero muito que todas estas questões tenham um sim. Em escalas e com intensidades diferentes, mas com desejo puro de significado literal.

17/10/17

sushi humano


É isto que acontece, quando um ás em Photoshop (Cristian Girotto) se junta a um diretor criativo de arte digital (Olivier Masson) e ambos criam esta serie única de sushi “humano” denominada “Raw”.

15/10/17

A ILHA DE SUKKWAN de David Vann


O premiado romance de David Vann, “A Ilha de Sukkwan” é uma obra inesquecível, um livro de leitura compulsiva, cruo e duro, obrigatório e absolutamente brilhante.

“Uma ilha deserta no sul do Alasca, a que só se consegue chegar de barco ou de hidroavião, repleta de florestas e montanhas escarpadas. Este é o cenário que Jim escolhe para desenvolver em novas bases a relação com o filho Roy, de 13 anos, que mal conhece. Doze meses numa cabana isolada do resto do mundo, colaborando para enfrentar uma natureza rude. Parece uma boa oportunidade para recuperar o tempo perdido. Mas as difíceis condições de sobrevivência e a tensão emocional a que se veem sujeitos rapidamente transformam esta estada num pesadelo asfixiante, tornando a situação incontrolável.

A Ilha de Sukkwan é uma história de um suspense avassalador. Com esta narrativa, que nos leva às profundezas da alma humana, David Vann afirmou-se como um dos escritores norte-americanos de primeiro plano.”
(Wook)



“A Ilha de Sukkwan” é uma obra que dói, que mexe, que me levou a mergulhar no fosso das relações humanas, que me fez ter vontade de ir ao Alaska e que me fez (re)colocar uma série de questões.
Talvez por ser tão incrivelmente verdadeira, tão dolorosamente bonita e incomensuravelmente fria.

13/10/17

às sextas



às sextas desaperto-me de rotinas, horas e vírgulas.
às sextas componho-me de compassos, combinações, corolários e camarins.
às sextas sou um desenho sem medo e um pijama velho, mas quente.
às sextas sou pantufas, panquecas, preleções e pequenices.
às sextas tenho o alfabeto nos sentidos e as notas musicais nos dedos das mãos.
às sextas sou um poema do Manuel António Pina e um movimento de Matisse.
às sextas estico-me encolho-me sobro-me e aceito-me.
às sextas sou, geralmente, mais engraçadinha e simpáticazinha.
às sextas borrifo-me para a matemática dos números e faço contas de somar às coisas que mais gosto.
às sextas sou, de todas as minhas Lauras, o melhor bocadinho que elas têm.

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