15/12/17

My Foolish Heart



phot. Eric Benier Burckel

vi-a pulsar sem pulso, voar sem asas, chorar sem veias.
vi-a partir-se em duas, fechar-se em dias, abrir-se em rasgos.

vi-a fazer isto tudo
e depois vi quando se desfez
e depois ainda
depois
vi-a sarar-se num voo pleno e seguro.

aterrou na vida do costume

e, no dia seguinte, a Primavera já tinha voltado aos seus olhos.

12/12/17

Siri Hustvedt, “Aquilo Que Eu Amava”

É provavelmente um dos livros mais densos que já li.
Daqueles que me fazem voltar atrás. marcar o canto de uma página. suspirar e parar para ler uma coisa mais "leve". Rever um capítulo. Revisitar uma frase.

Siri Hustvedt conduz-nos pela história de duas famílias, através da voz de uma das personagens (masculina) e ilustra de forma pormenorizada e vibrante a situação da arte e as suas tendências na Nova Iorque dos anos 80.

É um livro que fala de relações familiares, de exposições e instalações, de dor, perda, descoberta e partidas. Sobre o Outono da vida, sobre a solidão.

Foi dos livros que mais demorei a ler.

Enora Lalet , “Cooking Faces”





São retratos efémeros e criações vivas, em palco, que combinam pintura corporal, design culinário, costura.
A comida é o ponto de partida e a escolha; depois segue-se um curioso processo de produção que envolve muitos géneros disciplinares e que culmina na criação de um quase “trabalho antropológico”, destacando as muitas culturas do mundo.

É daquelas coisas que muito gostaria de ver. Porque deve ser um assombro para os sentidos.

07/12/17

bossa-vento-tu

phot. harold feinstein



e por vezes vens em forma de vento
e outras vestido de aurora
e outras vestido de tudo.

e trazes na boca vendavais de inconstância
e no verso de ti aquela história
aquela que nunca teve música
mas que nunca deixaremos de cantar.

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