18/07/18

tamara dean



16/07/18

rescaldo dia 2


A aranha vaidosa que não se mexe do tecto da recepção.
As famílias que começo a conhecer: as alemãs-lagostas com sandálias que parecem mochilas.
Os casais pequeninos portugueses de mão dada, com sotaque do Norte e bolsinha debaixo do braço.
Os italianos que andam embriagados desde que chegaram e atravessam a piscina com as suas barbas de Vikings.
A mãe e a filha gordas de cabelo igual e saias curtas a fumar ao mesmo tempo que devem ser nórdicas.
A família da linha, avô, avó, tia afastada, tio por parte do pai, primos direitas e tortas, moreníssimas com vestidos branquíssimos.
Os casais de reformados que misturam no mesmo prato: cachopa, peixe grelhado e saladas de cores vivas.
As crianças a tombar de sono.
A música cabo-verdiana arrastada que convida ao arrasta pés.
A pele morena, a piscina a desmaiar na noite, os insetos bêbados com os perfumes, os gatos à espera de comida.
E eu, no meio disto tudo, com medo de não ter olhos que registem isto tudo e com os dedos a dançar no teclado do telemóvel, numa dança apertadinha.
No Stress. É o que se diz por aqui.

12/07/18

cabo verde



 
partilho a partir de hoje, convosco, a minha aventura bonita de Cabo Verde, numa semana.
por ter sido tão bonita, acho que não devo guardá-la só para mim.
 
 
"Entrei nesta aventura de vir sozinha para Cabo Verde sem pensar muito em “vir sozinha para Cabo Verde”.
Mas o facto é que vim. Não é para todos, viajar sozinho.
É necessária uma dose muito grande de “estar bem consigo” e “procurar a paz nas pequenas coisas”.
Faz-me falta o marido, o filho entre aspas, a casa, as gatas, o espelho que já me recorta de olhos fechados, a televisão a debitar os cromos do futebol. As séries, os cremes para tudo e alguma coisa, as caixinhas com isto e aquilo e aqueloutro.
Mas depois reencontro a Laura efetiva, aquela que janta sozinha com as memórias bonitas, a que apanha sol com insetos africanos e vontades de cá ter a Família toda. Aquela Laura que já tem gatos seguidores africanos, que gosta de viagens dentro e fora de si. A Laura que se entretém com nadas e com eles faz tudos.
E é essa Laura revigorada e apaziguada que depois irá dar aos seus aquilo que mais gosta de dar.
Tudo."





1.julho.2018

uma visão diferente era tudo o que precisava hoje.


29/05/18

os meus 3 verbos preferidos


3 verbos que aprendi a trautear, na vida, em tantos aspectos dela.
Construir. Plantar. Aprender.
Quero ser aprendiz de ser feliz até ser antiga.
Esta é uma das certezas mais certas da minha vida.

16/05/18

da Primavera e das coisas


a Primavera dá-me para ver coisas
onde não existe coisa nenhuma.

14/05/18

do "não" renascido


Não tenho qualquer dúvida, hoje, do tanto que se aprende com a partilha, a dor, a resignação e o bem.
Este ano recebeu-me aos arremessos. De notícias menos boas, de mudanças inequívocas, de paradigmas alterados.
Quando tudo começou achei que não ia, que não queria, que não podia ser, que não era justo, que não era merecido, que não era assim, que não, que não, que não.
Passados quase 5 meses, a palavra “não” aparece-me renascida, vestida de terra, junho, esperança e paz.
Vou regá-la, remexê-la com as mãos e as verdades e as vontades e os entardeceres da primavera.
E vou continuar feliz, em pequeninas partículas de tempo, porque continuo, ainda hoje, a aprender, coisas novas sobre mim.

04/05/18

i know what i like and i like what i know


ele disse-lhe:
- veste o que quiseres.
ela perguntou:
- posso vestir-me de qualquer coisa?
ele acenou que sim com olhar curioso.

então, como de muitas outras vezes, ela vestiu-se de nu.

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