05/09/18

solitude

Escolheu aquela luz porque aquela luz lhe fazia lembrar um filme que já havia esquecido.
Deixou-se ficar ali até a luz da aurora romper, sonolenta, a ondular telhados, árvore, dormências e instantes.
No dia a seguir fez igual. E no outro. E no seguinte.
Nunca se cansou.
E aqueles, solitários, que a espreitavam das janelas, nunca lhe disseram para se ir embora.
A solidão partilhada às vezes é a família de tantos que são sós.

Photo, Alan-Schaller, Metropolis.

7 comentários:

luisa disse...

Mais do que solidão (gostei da imagem da solidão partilhada), lembrei-me de uma borboleta noturna, inevitavelmente atraída pela luz.

Ricardo Santos disse...

https://www.youtube.com/watch?v=KBt36Bw7_8Q

Mar Arável disse...

a luz num abraço de limos
Bj

Janita disse...

Nunca se cansou nem dormiu.
Um belo texto para uma imagem que reflecte solidão, quiçá, desejada.
Beijinho

Luis Eme disse...

Parece que sim, e também para ficar bem na fotografia.:)

Andreia Morais disse...

Um texto belíssimo, ainda que nostálgico!

Janela Indiscreta disse...

A solidão nunca é uma opção mas a imagem é tão bonita Laura :)

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