19/07/19

coisas

Desde há uns anos para cá que adotei a mania de falar nas coisas só depois de elas acontecerem.
Acho que esta é uma das decisões que se tomam com o avançar da idade.
É cauteloso, mas também pode perder a intensidade do momento.
Tem as duas faces. Mas também quase tudo tem dois pontos de vista.
Só a minha cabeça é que não. Podia ter dois. Mas tem várias dezenas.
Acordar todos os dias na minha cabeça é uma coisa que pode ser uma aventura ou um pesadelo.

16/07/19

ando às voltas e às voltas

e parece que não vou a lado algum.
remedeio-me com as coisas mínimas do dia-a-dia.
à noite deito-me e empreendo castelos de ideias com arquiteturas colossais.
devo perder as pedras e as colunas, durante a noite.
quando acordo de manhã a paisagem está outra vez despida.

19/06/19

ponto de situação



Durmo cada vez menos. Deve ser do diabo das hormonas que me saíram umas ricas biscas. Acordo cada vez mais cedo. Ou seja, qualquer dia acordo antes de me deitar.
Resmungo cada vez mais, de manhã. Digo asneiras no carro, em alta voz, daquelas cavernosas, com muitas consoantes. Às vezes apetece-me fazer caretas aos condutores que se cruzam comigo; há nas expressões faciais uma qualquer libertação que me encanta.
Tenho sono cada vez mais cedo e isto acontece porque acordo cada vez mais cedo; vou aos tombos para a cama e doem-me as cruzes quando me baixo para desapertar fivelas.
Só me apetece dormir com coisas estupidamente confortáveis; ora as coisas que tenho para dormir estupidamente confortáveis são estupidamente feias; parecem pijamas e camisas da minha avó mais fortezinha.
Há meses que não consigo ler quando me deito. Há meses que não consigo pensar na roupa que vou vestir no dia seguinte porque adormeço e ainda só vou na camisola.

Estou a escassos dias de férias. Vou-me lambuzar de escrever coisas que não têm interesse nenhum. Mas isso faz parte das férias.

12/06/19

é (quase) sempre a subir




Vai, sobe. Estás no bom caminho. Que não te importunem as hesitações ou os empurrões.
Vai, não pares. É sempre a subir. Um dia verás a luz com mais luz. As coisas comuns passarão a ser grandes coisas só porque os teus olhos passaram a ver de maneira diferente.
Vai, continua. Já não falta tudo. Lá em cima está o mais difícil? É possível – se o difícil estivesse logo cá em baixo não tinhas subido.
Vai, já quase se vê o fim. Estás prestes. Foi uma subida e tanto.
Foi precisa coragem, ganas, persistência e benevolência.
Sim, eu sei. Isso tudo e tantas coisas mais.
Vá, Laura, deixa-te de merdas. Não vais desistir agora.

(Isto sou eu a falar comigo.)

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