21/06/19

está oficialmente aberta a temporada de férias de 2019


19/06/19

ponto de situação



Durmo cada vez menos. Deve ser do diabo das hormonas que me saíram umas ricas biscas. Acordo cada vez mais cedo. Ou seja, qualquer dia acordo antes de me deitar.
Resmungo cada vez mais, de manhã. Digo asneiras no carro, em alta voz, daquelas cavernosas, com muitas consoantes. Às vezes apetece-me fazer caretas aos condutores que se cruzam comigo; há nas expressões faciais uma qualquer libertação que me encanta.
Tenho sono cada vez mais cedo e isto acontece porque acordo cada vez mais cedo; vou aos tombos para a cama e doem-me as cruzes quando me baixo para desapertar fivelas.
Só me apetece dormir com coisas estupidamente confortáveis; ora as coisas que tenho para dormir estupidamente confortáveis são estupidamente feias; parecem pijamas e camisas da minha avó mais fortezinha.
Há meses que não consigo ler quando me deito. Há meses que não consigo pensar na roupa que vou vestir no dia seguinte porque adormeço e ainda só vou na camisola.

Estou a escassos dias de férias. Vou-me lambuzar de escrever coisas que não têm interesse nenhum. Mas isso faz parte das férias.

12/06/19

é (quase) sempre a subir




Vai, sobe. Estás no bom caminho. Que não te importunem as hesitações ou os empurrões.
Vai, não pares. É sempre a subir. Um dia verás a luz com mais luz. As coisas comuns passarão a ser grandes coisas só porque os teus olhos passaram a ver de maneira diferente.
Vai, continua. Já não falta tudo. Lá em cima está o mais difícil? É possível – se o difícil estivesse logo cá em baixo não tinhas subido.
Vai, já quase se vê o fim. Estás prestes. Foi uma subida e tanto.
Foi precisa coragem, ganas, persistência e benevolência.
Sim, eu sei. Isso tudo e tantas coisas mais.
Vá, Laura, deixa-te de merdas. Não vais desistir agora.

(Isto sou eu a falar comigo.)

11/06/19

quando aquilo que hoje tens

é apenas uma marca daquilo que já foste.

07/06/19

não vá o diabo tecê-las


Sais de casa pintadinha, arranjadinha. Mal entras no elevador levas com bafo de cão.
Dás uma miradela ao espelho, vês o perfil, o rabiosque, a melena bem apanhada, a borbulha escondida debaixo da base.
Sais para a rua com ar de junho, mood de junho e zás, pisas um cagalhoto mesmo à saída da porta do prédio. Para ajudar, a sandalinha que calçaste hoje é rasteirinha e está a gritar por solas, pelo que a trampa ainda chega a lamber timidamente o pé de princesa.
A partir dali respiras fundo,  avanças a medo, pequenina, atenta a tudo e a todos.
Consegues chegar ao emprego incólume e entras no elevador já com ar mais satisfeito.
Pelo sim pelo não, não dás uma miradela ao espelho, não vês o perfil, o rabiosque, a melena bem apanhada, a borbulha escondida debaixo da base.
(não vá o diabo tecê-las)

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