03/09/19

a minha borracha


Agarro-me assim às coisas, e depois?
Tenho manias. Uma caneta específica para escrever na agenda pessoal. Um lápis específico para apontar as séries. Uma caneta específica de cor específica para apontar coisas que especificamente vou colecionando.
E depois tenho esta borracha. Há anos.
Começou linda, branquinha e retilínea. Já apagou milhares de coisas. De contas a romances, de segredos a desapontamentos, de combinações a disparates profícuos.
É pequenina e rombuda. Ainda se lê o “g” do “rotring”.
Tem marcas escuras como têm marcas as minhas mãos. Eu digo que são da idade.
Acompanha-me todos os dias. No trabalho, no teatro, na saúde, na doença.
Podia ser a minha-borracha-marido.
Ai de mim se a perco.
Quando ficar pequena, mas tão pequena que já não lhe consiga pegar para apagar nem que seja em pensamento, colocá-la-ei junto dos meus apetrechos da escrita reformados e pequeninos, inaptos para me acompanhar nestas lides, mas por quem nutro um amor capaz de me fazer escrever poesia dois dias inteirinhos, sem comer.

3 comentários:

Andreia Morais disse...

Também tenho pequenas manias como estas :)
É sinal de que estimas as tuas coisas, e isso é maravilhoso!

Gaja Maria disse...

Tenho uma borracha dessas há anos. Quase duram uma vida inteira ou então somos nós que nos apegamos às coisas :)

Cidália Ferreira disse...

Hoje, passo apenas para vos dizer, presente. Com calma, nos seguintes posts já deverá ser diferente! Agradeço a todos pela paciência que tiveram, em esperar por mim. OBRIGADA.
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Estou de volta
Beijos e um excelente dia!

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