29/11/19

Matthew Bourne , o lago dos cisnes


Matthew Bourne brinda o mundo, em 1996, com a controversa versão de "O lago dos cisnes".

Na sua versão, os cisnes são homens, e a figura central da história um príncipe infeliz, desajustado, rejeitado pela mãe.
Ao encontrar um cisne, fruto ou não da sua imaginação, apaixona-se por ele.
E o resto tem mesmo de se ver.

Com a música sublime de Tchaikovski, entramos numa dimensão onde tudo cabe: sexo, suavidade, reprovação, intensidade, paixão, provocações, ansiedades e desilusões.


"A reinterpretação moderna de Matthew Bourne de O Lago dos Cisnes subverteu a tradição e provocou uma tempestade no mundo da dança. Nunca uma reconstrução contemporânea de um bailado tradicional fez vibrar de igual modo tanto os críticos ardentes como os entusiastas da dança moderna." in RTP

27/11/19

a mulher com a mão pendente

phot. Bigs Vatcharasith


a mulher tem uma mão pendente de qualquer coisa que nem ela sabe.
nunca sabe. 
por isso é que lhe chamam, todos, a mulher com a mão pendente.
talvez hoje apanhe um pássaro. ou uma meia-hora.
talvez hoje agarre uma conversa que ficou a meio,
talvez hoje trave uma porta que alguém bateu com força.

a mulher que tem uma mão pendente de qualquer coisa, hoje, precisa de alcançar uma coisa bonita.

25/11/19

gulf

vejo-lhe os olhos escuros. a boca torta aberta.
e as mãos de unhas grandes num abraço de fel a querer abraçar as minhas.

22/11/19

a minha aventura na Antena 2

Advento Tático
a partir de 2 de Dezembro na Antena 2



textos pequenos, que dizem coisas grandes.


DIREÇÃO SONORA: Belmiro Ribeiro e Bernardo Gavina.
SONORIZAÇÃO: Gonçalo Lopes, João Francisco Silva e Manuel Gonçalves.
AUTORES: Beatriz Brígida Melo, Bernardo Gavina, Carina Ferrão, Cecília Ferreira, Flora Miranda, Frederica Pinho, Laura Avelar Ferreira, Luísa Ferreira, Maria Pinto e Vanda R. Rodrigues.
VOZES: Beatriz Brígida Melo, Belmiro Ribeiro, Bernardo Gavina, Carina Ferrão, Cecília Ferreira, Flora Miranda, Laura Avelar Ferreira, Maria Peres, Pedro Roquette, Renato Filipe Cardoso, Sofia Príncipe e Susana Brochado.

PRODUÇÃO: Centro de Dramaturgia e Argumento/ CEDA

APOIO: Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo/ ESMAE

bocados dela em bocados de textos dela


Dêem-lhe um lápis, uma folha de papel em branco e qualquer coisa que mexa, mesmo que ao primeiro olhar pareça inerte.
Façam-na escutar um piado no quintal, uma sonata no andar de cima ou uma pinga na torneira da casa da mãe.
Falem-lhe de raízes, de conversas e de asas.
Depois reservem-na e deixem-na repousar.

Só têm de olhar, por fim, para a folha de papel.
Que já não estará em branco.
E que, à semelhança de muitas outras, conterá bocadinhos dela espalhados em vírgulas, didascálias, prefácios e metáforas.

14/11/19

anda


- queres vir?
- onde?
- onde for.
- e vamos só nós?
- precisas que venha mais gente?
- acho que  não.
- então anda. somos nós e o mundo todo e o mundo todo vai ser pequeno para o tanto que nós somos.

12/11/19

"Sul", RTP

Falar da série “Sul”, é falar de um caso sério de televisão.
Não entendo porque ninguém fala dela, à semelhança do que se falou tanto de outras.
Mas eu falo. Eu quero falar.
Quero falar da sua capacidade de me fazer ficar a olhar para tudo uma e outra vez e às vezes ter que voltar atrás para que fixe, para que mature.
Pela mão melódica dos Dead Combo, partimos para uma aventura através de uma Lisboa desconhecida, despida, agreste, elétrica, aveludada, e tão incrivelmente real.
Quem nos leva? Os grandes Adriano Luz, Margarida Vila-Nova, Afonso Pimentel. Há muitos outros, igualmente grandes, mas estes levam-me em jeito de cinema, para casas cheias de livros e tralha e janelas entreabertas, muros altos e casarios com periquitos e gente de olhos tristes.
“Sul” é puro cinema, é arte de televisão, é cuidado depurado, é forma pensada.
“Sul” é mais um caso genial da televisão em Portugal, e é nossa.
É uma serie portuguesa, que todos deviam ver,

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