31/12/19

2020

Não te peço coisas ou palavras ou definições ou adjetivos.
Peço-te que entres tranquilo, com a cadência de uma sonata ou da brisa do fim de tarde no meu Algarve, na praia.
Que deixes ir o 2019 que me marcou com tempestades, sustos, perdas mas também tantos ganhos.
Conversa com ele, baixinho, e diz-lhe que pode ir.
Tu ficas. Quero que fiques. Tens um sofá lá em casa, perto da varanda. Daqui a uns meses até vais ter um novo.
Tu ficas. Quero que fiques.
Tens coisas guardadas para nós, que eu sei.
Tens alegria nos teus fios de cabelo louro e tens promessas de coisas boas.
Tens esperança nas mãos e tens um abraço de união feroz.
Tu ficas. Quero que fiques.
Tens embalo, amparo, mimos e olhares calados, com olhos de tudo.
Tu ficas. Quero que fiques.
E que nos deixes ficar.

(recebo-te de braços abertos.)

18/12/19

Carta ao Pai, sem ser Natal.



Pappy, este ano escrevo-te a ti porque mais uma vez não preciso de pedir nada ao Pai Natal.
Queria que soubesses que por aqui as coisas continuam mais ou menos iguais; tempestades com nomes de mulheres, celeumas com o orçamento de estado, gente a zangar-se muito com gente nas redes sociais (agora andam todos a dar em cima de uma miúda…), o estado da saúde, do clima, da transparência, da intransigência, da negligência.
Mas para falar disto basta que se abra uma rede social, um jornal, uma revista, um email.
O que queria realmente dizer-te é que nós por cá continuamos todos a tentar olhar para isto da melhor forma mesmo sabendo que não estás.
Não estás, de facto. Mas para mim estás e sempre.
E sabes disso porque te peço todos os dias para ser um bocadinho como tu eras e ensinaste todos aqueles a quem abençoaste com a tua presença: mais generosa, mais simpática, mais tolerante, mais alegre.
Ando nesta vida assim, diariamente, um dia consegue-se mais um bocadinho de uma coisa ou de outra, disto ou daquilo.
Quando me deito, à noite, além dos teus olhos, encontro os teus ensinamentos e as memórias infinitas das coisas infinitas que me deixaste.
Não quero pedir-te nada. Ou antes, quero.
Que me abraces no sono, que me ensines anedotas e trocadilhos novos e que neste Natal nos inspires, a todos, para que fiquemos felizes e em paz.
Prometo vestir uma roupinha “prosopopeica”, por o “It was a very good year” a tocar e acabar talvez a noite a cantar ou a jogar qualquer coisa.
Um beijo repenicado nas “lêpas” ou na bochecha esquerda, com direito a barulho e tudo.


17/12/19

um conto chinês

de Sebastián Borensztein, com Ricardo Darín, Muriel Santa Ana e Ignacio Huang.

vale muito a pena ver.
passou na RTP2 a 15 de dezembro.

16/12/19

teartro radiofónico, na antena 2











http://www.rtp.pt/antena2/cultura/teatro-radiofnico-uma-praia-ao-sul-de-lusa-r-ferreira-17-dezembro-19h00_4393?fbclid=IwAR1BY-rFseKveIKWBb5DObKTF96RvW8NUuaTlHmFiYBcRgOCoZcTLkpMh30


Teatro Radiofónico

17 Dezembro | 19h00
5 Janeiro | 14h00 (rep.)
10 Fevereiro | 5h00 (rep.)

Uma Praia ao Sul | Luísa Ramos Ferreira

Três amigas, Lígia, Paula e Teresa, estão de férias no sul da Europa, com o grande propósito de retemperar forças, quando começam a dar à costa os corpos de emigrantes clandestinos, vindos de um lugar ainda mais a sul.
O que podem fazer, o que devem fazer e o que realmente fazem estas mulheres?


Intérpretes:
Ana da Cunha
Bernardo Gavina
Carina Ferrão
Laura Avelar Ferreira

Direção de atores: António Durães

Composição: João Bastos e Bruno Vicente
Piano: Lucinda Matos e Francisco Fernandes
Quarteto de Saxofones: Inês Alves, Rafael Soares, Leonardo Afonso e Tomás Petiz
Flauta: Victoria Maílho
Quarteto de Cordas: Francisco Ferreira, Pedro Franco, Clara Fernandes e Leonor van Zeller
Guitarra: Henrique Moreira
Marimba: Eduardo Carneiro
Vibrafone: Hilário Castro
Tímpanos: Gabriel Teixeira
Direção musical: Tomás Petiz
Gravação, mistura e montagem: Gonçalo Lopes, João Francisco Silva e Manuel Gonçalves
Coordenação de Jorge Louraço Figueira, Marco Conceição e Sofia Saldanha
Produção: ESMAE - Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo


Luísa Ramos Ferreira nasceu no Porto. Licenciou-se em História e fez o Mestrado em História Moderna na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Frequentou, como aluna extraordinária, a ESBAP, assim como a Escola de Jazz do Porto. Participou em vários workshops de cinema de animação em Espinho. Concluiu este ano o curso de Pós-Graduação em Dramaturgia e Argumento na ESMAE. Publicou vários livros na Afrontamento e tem participado em várias exposições de pintura, coletivas e individuais.


Ana da Cunha é licenciada em Teatro-Interpretação pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo e pós-graduada em Dramaturgia e Argumento. Atualmente frequenta o mestrado em Jornalismo na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Ao longo do seu percurso académico e profissional, já venceu dois concursos literários, tendo publicado dois livros. Em teatro, já foi dirigida por Nuno Carinhas, Fernando Mora Ramos, Nuno Cardoso, Paulo Calatré, Pedro Penim e Rodrigo Malvar.


Bernardo Gavina é ator, licenciado pela Escola Superior de Teatro e Cinema - ESTC e com o curso profissional de teatro na Academia Contemporânea do Espetáculo- ACE. É pós-graduado em dramaturgia e argumento pela ESMAE. Com um percurso ligado também à música, tem formação de violino, piano e participou enquanto cantor em vários sucessos discográficos infantis. Já foi dirigido em teatro por Paulo Matos, David Pountney, Nuno Cardoso, Filipe Lá Féria, João Paulo Costa, Alexandre Lyra Leite, Mirró Pereira, Zeferino Mota, Daniel de Macedo Pinto, Joana Brandão, Ivo Romeu Bastos, Pedro Fiuza, Jean Paul Bucchieri, Kuniaki Ida e Nuno M Cardoso. Conta com trabalhos em locução e televisão e trabalha regularmente em dobragens.


Carina Ferrão nasceu em Coimbra, em 1996. Desde muito cedo colabora com a companhia O Teatrão, sediada na Oficina Municipal do Teatro, Coimbra. Em 2014 muda-se para o Porto. Aluna de Interpretação na ESMAE, foi já dirigida por Rodrigo Malvar, Paulo Calatré, Pedro Penim, Óscar Codesido, Lígia Roque, entre outros. Em 2017, estreia a sua primeira encenação, FECTUS_Um ponto de vista feminino, e acompanha Días Hábiles, de Alfredo Martins e Rui Santos, como assistente de encenação. Arranca 2018 com a Direção Artística do Festival de Teatro Filhos do T, onde se estreia enquanto dramaturga com o espetáculo AUGUSTO, Uma Ode às Mulheres-Cidade. Em 2019 termina a Pós-Graduação de Dramaturgia e Argumento, coordenada por Jorge Louraço, e leva o seu texto Canção Orquestral a duas e muitas vozes ao TNSJ, leitura encenada por Nuno M. Cardoso, em Peças Novas. Recentemente trabalhou com o Teatro Art’imagem, interpretando Nástenka em Noites Brancas, encenação de Pedro Carvalho. É membro de CeDA, Centro de Dramaturgia e Argumento.


Laura Avelar Ferreira nasceu no Porto, a 25 de setembro de 1968. Começa a carreira teatral em 1996, aquando da criação do grupo de teatro amador Palavras Loucas Orelhas Moucas.
Durante este período, obtém formação em teatro no Ballet Teatro e ENTRETanto Teatro tendo também frequentado diversas oficinas artísticas com, entre outros, Ricardo Rizzo, Clarisse Abujamra, Alex Capelossa, Ester Laccava e Quico Cadaval. Escreveu e encenou, entre 1996 e 2019, 38 espetáculos de teatro amador. É encenadora residente do grupo de Teatro amador “Grupo Dramático e Recreativo da Retorta”. Como atriz, participou em 32 espetáculos e trabalhou com os encenadores Júnior Sampaio, Joclécio Azevedo e Fernando Heitor, tendo integrado elencos de grupos profissionais como Seiva Trupe e ENTRETanto Teatro. Em 2019, concluiu a Pós-Graduação de Dramaturgia e Argumento, na ESMAE. Colabora, ocasionalmente, com revistas on-line na produção de textos. Escreve regularmente (desde 2006) no Blogue “o sítio das pequenas coisas”. Trabalha na área do Mercado de Capitais, desde 1990.


António Durães é profissional de teatro desde 1984, tendo feito a sua formação na Escola de Formação Teatral do Centro Cultural de Évora. Trabalhou em várias estruturas teatrais do país, como os Teatros Nacionais S. João (Porto) e D. Maria II (Lisboa), o Centro Cultural de Belém, a Fundação Gulbenkian, os Teatros Municipais do Porto (Rivoli e Campo Alegre) e Lisboa (S. Luiz e Maria Matos), entre outras. Co-dirigiu o projecto Os Sons Menina – Teatros Radiofónicos, para o Teatro Nacional S. João, posteriormente editados em disco. Com o pianista Luís Pipa, gravou o CD Marcha para Dois Vapores e, mais tarde, para o Teatro Nacional S. João, com o mesma parceria, realizou o espectáculo Variações Sobre a Perversão (de vários autores/compositores) apresentado em várias salas de espectáculo do país. Integrou a equipa da Rádio Universitária do Minho até 2000. É professor de interpretação (nos cursos de teatro e canto/música) da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE) desde 2000.

06/12/19

sinais dos tempos



phot. Eric Pickersgill

05/12/19

o homem que queria casar com uma senhora de uma fila de trânsito


Catrapumba, pensou ele, ao sair do trabalho.
Agora meto-me no carro, enfio-me numa fila de trânsito até casa e aproveito para ver os perfis dos condutores e ver se alguma alma feminina se ri para mim; quando isso acontece ofereço-lhe o meu melhor sorriso, aquele de lado, a mostrar só a fileira dos dentes de cima.
Se a coisa correr bem e o trânsito estiver infernal, pode ser que dê para abrir o vidro e lançar um piropo engraçado ou um comentário sem interesse.
Se o trânsito estiver mesmo parado porque houve um acidente mais à frente que meteu bombeiros e tudo, pode ser que até dê para sair do carro, oferecer-lhe uma bolachinha e perguntar-lhe coisas mais dela assim do tipo se é casada ou vive com a mãe e com o gato.
Não desisto de encontrar uma moça numa fila de trânsito, já que nas redes sociais não tenho sorte nenhuma.
Ainda um dia hei-de casar com uma senhora de um Mini ou de um Citroen ou de um Fiat Panda pequenino com matrícula anterior a 2000.
A minha esperança nunca morre.

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