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03/10/16

não sei como dizer hoje

que não me apetece dizer nada.
pronto, já disse.

(quando estou cinzenta não há um raio de uma outra cor que me pegue).

05/08/15

faltas-me

o teatro afasta-me de tudo.
das gatas, da casa, de ti.
mas o teatro também faz com que me encontre.
e, perto de mim,
estou incomensuravelmente (mais) perto de ti.
 

28/07/15

eu

que bom.
olhar para as minhas duas mãos e caberem-me, nos dedos todos,
tantos sonhos e projetos
(que ainda não fiz).
 


portátil

precisava de uma laura sobressalente.
e de uma marisa portátil, para trazer na carteira.

24/07/15

a laura ainda vai trabalhar

a marisa já foi de fim-de-semana.

22/07/15

hoje dormi depressa demais.

já estou acordada mas os meus sonhos 
ficaram no ontem.

21/07/15

mesmo sem tempo

voltei às séries de tv. como aqueles filhos que voltam à terra.
a tv abriu-me os braços e dei-lhe um abraço apertado.
depois fiz zapping como quem faz uma aula de aeróbica, com uma sofreguidão infantil.
e pousei arraiais numa série irlandesa. era a única que tinha começado há pouco.
embirro com coisas a meio. tudo. meias, refeições, cabelos, sapatos.
"amber". não tenho ainda opinião formada mas para já vou ficar-me por aqui.
mais vale uma "amber" na mão do que duas a voar.
céus, como gosto de ver séries de televisão.

falta de tempo

tenho saudades de coisas que nem sei se são coisas.
de brincar com a minha sombra, de desafiar o meu reflexo.
de gesticular com os meus sentidos.
conversar com as minhas outras lauras.

20/07/15

frequentemente

phot by Jean-Pierre Larcher 

me frequento de outras frequências.
apetecia-me colocar o meu conta kilómetros a zero.


14/07/15

into

phot Coming to light by Olavo Azevedo
 
já estou na luz.
quando assim é tudo é mais tudo.
mais luminoso, mais conforme, mais feliz.

mas há coisas, que vivemos nas sombras,
que deixam marcas profundas.
(e impossíveis de retirar).

13/07/15

tudo confuso.

tanto que até me confunde a mim.
 

11/07/15

natura

gostava de me fazer de árvores, hoje.
para ficar a olhar, lá de cima, com olhos de vento e mãos de folhas.
para me respirar lá em cima e para me esconder dos pássaros.
gostava assim, de me sentir e de me ver assim.
árvore. terra. vento. azul.

07/07/15

hoje detenho-me nos detalhes.

phot by Inez van Lamsweerde / Vinoodh Matadin

06/07/15

pessoas

vou-me fazendo de tanta coisa.
mas sobretudo de pessoas.
gosto de me vestir bem.
mas gosto ainda mais de vestir-me de pessoas.
 


25/06/15

senão




Senão produzo, não sou eu. Sou antes uma massa conforme da mesma massa de que se faz a massa. Não sou nada. Sou pouco. Sou normalíssima. Sou mais uma.
Senão produzo não me revejo. Sou cinzenta e monocórdica e chata e refilona.
Senão crio nunca me recrio. Morro aos bocadinhos, sem vírgulas, sem temas, sem ar.
Senão crio nunca me revolto. E revoltar-me é bom.
Revoltar-me com o mundo, comigo, com as palavras e com a alma.
Produzo e produzo-me. Crio e crio-me. Todos os dias. Enquanto houver dias.

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