my photo.
não sei se o Porto está na moda. há quem o diga e há quem o pense.
eu sou suspeita porque nutro pela minha cidade natal um amor infinito que vai aumentando à medida que eu avanço na idade.
quando penso no meu Porto penso numa mulher madura, com rugas, expressões vincadas, com membros esguios e elegantes, com olhares cheios de histórias e rios de poemas nos pés e nas mãos.
o meu Porto canção, estrofe, texto e desenho.
o meu Porto peixe, ave, saudade e coração.
o meu Porto-amor e o meu amor pelo Porto, são assim uma espécie de cara metade.
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17/05/17
12/08/16
09/08/16
sentir
phot. Bob Sala
ontem senti tantas coisas.
o fumo dos incêndios. o sol numa bola de fogo a desmaiar num céu cansado.
a inquietude da natureza e o silêncio dos que estão ameaçados.
a vitória da nossa atleta, nos jogos olímpicos.
os barulhos nocturnos das casas dos vizinhos; já conheço alguns desses barulhos, já me são familiares: talheres, tosse, pigarrear, latir, correr, encostar, empurrar.
conheço e sinto os verbos do meu prédio materializados nos meus vizinhos.
senti tudo, muito, muito sentido, muito na pele e nos sentidos.
que a minha pele e os meus sentidos têm destas coisas.
ontem senti muitas coisas.
e adormeci a sentir os nossos pés num refastelar longo de paz
e familiaridade.
08/08/16
onde tudo acontece
é onde terei de chegar. lá no centrozinho do centro,
onde as emoções mal abrem os olhos
e o pensar ainda dorme embalado num sono pequeno.
onde as emoções mal abrem os olhos
e o pensar ainda dorme embalado num sono pequeno.
05/08/16
04/08/16
cenouras, filmes e uma vida cheia de cinema
Quando era miúda ouvi muitas vezes:
“Comer cenoura faz os olhos bonitos”.
Lá fui comendo cenouras cruas. Os olhos ficaram normais, castanhos, sem nada que os distinguisse de outros olhos castanhos.
Aos miúdos de hoje eu não digo que comer cenouras faz olhos bonitos mas sou gaja para dizer:
“Vê filmes, vê muitos filmes, vê muito, vê tudo;
para apurares o que gostas e explorá-lo o mais que possas, para rejeitares o que não interessa.”
No meu caso, ter visto muitos filmes fez-me melhor que as cenouras ou que o óleo de fígado de bacalhau.
Com os filmes a minha imaginação passou a ser uma parte autónoma de mim; uma coisa com vida e vontade próprias, que se pisga do meu encalço quando quer e bem lhe apetece. Que me abana, testa os limites, empurra para desafios e, frequentemente, me põe a dançar com o Fred Astaire nas filas de trânsito ou do Pingo Doce.
03/08/16
do amor que os corpos aprenderam
Benoit Courti
esta noite quando me deitei, já dormias.
curioso como tinhas uma das mãos, aberta.
pensei que pudesses estar à minha espera.
o amor tem destas pequeninas coisas gramaticais: o verbo, o pronome, o sinal de acentuação, o advérbio...
quando me deitei essa tua mão estendida procurou-me.
uma parte do meu corpo. um toque, só.
e, quando coloquei na tua mão aberta a minha mão cansada,
fecharam-se as duas mãos em sono e lençóis e ficaram, entretidas,
a namorar o amor que lhes ensinámos.
02/08/16
(com a certeza que, desta vez, eu é que começo a jogar)
Agasalhar-me com braços ao contrário.
Inverter cores, mãos, palavras e decisões.
Baralhar e voltar a dar.
Inverter cores, mãos, palavras e decisões.
Baralhar e voltar a dar.
01/08/16
férias, quase, quase
diz que sim, que é Agosto
que vai ser mês quente.
diz que sim, que é mês de férias e que faltam apenas duas semanas para as férias.
vou fazer como fazia quando era pequenita:
contar os dias, um a um, com ansiedade crescente, para que chegue depressa o dia 13.
estou a precisar muito.
de ir de férias comigo.
que vai ser mês quente.
diz que sim, que é mês de férias e que faltam apenas duas semanas para as férias.
vou fazer como fazia quando era pequenita:
contar os dias, um a um, com ansiedade crescente, para que chegue depressa o dia 13.
estou a precisar muito.
de ir de férias comigo.
27/07/16
as muitas sombras de mim
todas as sombras de mim
que andei a espalhar nas últimas semanas
estarão repostas amanhã
depois da estreia da minha nova peça.
tenho saudades de namorar com as minhas sombras.
do sol, dos olhos, do peito, das palavras.
que andei a espalhar nas últimas semanas
estarão repostas amanhã
depois da estreia da minha nova peça.
tenho saudades de namorar com as minhas sombras.
do sol, dos olhos, do peito, das palavras.
25/07/16
21/07/16
casórios
Gosto de casórios. Ao contrário de muita gente.
Gosto do cerimonial da preparação para ir ao casório ainda que não goste de ir a um casório como se fosse vestida para um casório.
Portanto, gosto de ir a casamentos.
É que eu adoro apreciar pessoas e os casamentos têm pessoas
e pessoas que se aprumam em demasia
que se aperaltam escaganifobeticamente
ou que simplesmente chegam com a roupinha andadeira habitual.
É que eu adoro apreciar os cabelos esticados-alisados-brilhosos-escalados-à-moda
ou então os cabelos com presos-típicos-de-cabeleireiro-que-penteia-as-freguesas-às-8-da-matina-para-o-casório
ou então os cabelos acabadinhos de pintar com restinhos de tinta nas têmporas
e os cabelos-com-kilos-de-laca-puxados-levemente-só-para-dizer-que-não-é-de-cabeleireirom-mas-é….
e é muito.
É que eu adoro ver os pés arranjados das senhoras e das meninas
encarcerados em saltos vertiginosos
coitados, à rasca, porque não estão habituados
e com cara de sofrimento a querer torcer e a obrigar
a que elas se esborrachem no chão.
Pezinhos com unhas de manicure à francesa
ou vernizinho igual às unhas da mão.
É que eu adoro ver os vestidos Maria-Marcelino-Augusto-Ana Sousa
ou os vestidos de modista de família ajustadinhos ao corpo
a condizer com as pochettes “que se usam”.
E gosto, adoro, ver o dançar dos pratos a serem postos e levantados,
os empregados a andar em filinha ao som da música com calças demasiado apertadas
e bochechas vermelhuscas,
o vilho a tilintar nos copos
os olhos brilhantes dos convivas que vão ficando cada vez mais pequenos à medida que a cerimonia avança.
e gosto, gosto sociológica e artisticamente,
do ar de enfado dos noivos a tirar fotografias de catálogo
para depois figurar num álbum que toda a gente se esquece de ver.
E gosto gosto gosto do bailarico dos casórios:
da abertura do baile com os noivos a acharem que sabem dançar valsa
e dos pares que se lhe seguem:
pais do noivo, pais da noiva, tios do noivo, tios da noiva
amigos dos pais do noivo
chefe de serviço da noiva e respectiva senhora
irmãos e cunhados do noivo e irmãos e cunhados da noiva
amigas casadas com os respectivos maridos
solteirões e solteironas
mulheres com mulheres quando não têm par
e as crianças com as crianças num desatino de ritmo que nunca ninguém percebe.
E depois de acabar a valsa,
dos comboios das manas e das primas e das cunhadas
das coreografias das amigas do grupo da igreja e dos escuteiros
do dançar embriagado de alguns comensais que se torcem mais que o habitual
e daqueles que nunca dançam e permanecem encostadinhos à parede
como se fossem treinadores de uma equipa da liga dos últimos.
e também gosto, oh se gosto, dos convívios dos casórios:
das conversas sobre filhos pequenos das casadas com filhos pequenos
das rodas apertadas das divorciadas muito morenas com uma CH no braço e com copos na mão e cigarro slim
das rodas dos homens de fralda de fora que fumam charuto
das conversas polidas das mães do noivo e da noiva
dos olhos gulosos das mulheres a comentar as toilettes
e dos olhos gulosos dos homens a comentar as mulheres.
Gosto. Gosto de apreciar tudo
Com um copo na mão, a fumar o meu cigarro
com os olhos bem abertos, para não perder pitada.
Para depois poder fazer o que sempre faço. Escrever.
“Declaro-vos marido e mulher”.
Nesta parte eu fico sempre emocionada.
20/07/16
o baú em forma de peito
Houve uma voz que ouvi hoje, que me instruiu luz, calma e serenidade e me fez ficar mais leve.
Houve uma voz hoje que me mostrou um caminho estreito, paralelo ao meu caminho de vida. Disse-me que era um caminho melhor, ainda que me parecesse mais agreste. Disse-me que era melhor caminho ainda que se me afigurasse mais longe.
Houve uma voz hoje que me disse que o nosso peito pode ser um baú. E que nós podemos abrir esse baú, enchê-lo de luz para que as coisas mais sombrias se possam apagar numa sombra feliz.
Houve uma leveza que pairou hoje, sobre mim, depois de ouvir aquela voz.
Que me agasalhou por dentro.
E que me fez ficar mais bonita por fora.
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