
“lápis”
Tenho uma coleção indecorosa.
Finos, grosso, ecológicos, sofisticados, infantis, góticos, idiotas, minimais.
Do MoMa, da Casa das Histórias, azulinhos, verde alface, vermelhos, pretos.
Meio gastos, antigos, roídos, estupidamente pequenos.
Guardo-os numa caixa dentro de uma gaveta e volta e meia abro-a e fico a olhar para eles. Só.
Adoro comprá-los em supermercados, aos magotes.
Adoro os do Ikea, que roubo às mãos cheias.
Adoro aguçá-los
roer-lhes a pontinha
brincar no meio dos dedos
prender o cabelo com eles
sombrear luas
bailarinas e rostos de bonecas.
Tenho um para cada coisa
encenações
notas de ensaio
trabalho
escrita de contos
lista de compras.
São portadores de palavras
Atos momentos historias.
São panca, hábito, paixão.
Já tenho outra gaveta reservada para mais uma caixa.