10/04/14

escreve



escreve como quem procura, sempre, alguma coisa.
escreve sem freio, sem dono, sem pejo.
escreve como se amanhã pudesse deixar de haver sol ou verbos.
escreve como se tocasse piano ou bordasse um lençol de linho.
escreve com a bainha de dentro do corpo, aquela que se esconde de todos.
às vezes escreve com dor e com sal de água dos olhos.
às vezes escreve sem luz e sem ritmo e sem tema
sem nada.
só ela. o papel. a tinta.
e a verdade:
que lhe sai, dos dedos,
que conhece os meandros da língua
e que se esvai do coração.

a istória mais errática de senpre



ela avordou-o com alguma biolência.
ele achou que era deribado ao tempo.
ela disse-le:
ás de cá vir, ás de.
e ele birou-le as costas. e bazou.

ai

ai seu pudesse fazer-me de coisas pequeninas, sempre.
até de mim fazer uma coisa grande.
 


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