02/02/16

policiais suecos e outros livros


Acumulam-se na mesinha de cabeceira.
Eu coloco-os numa ordem específica; a ordem pela qual os irei ler.
A Maria da Luz vem para limpar o pó e tira-os da ordem.
Sei que não tenho tempo para lhes pegar nos próximos tempos.
Não os arrumo porque gosto de os ter por perto. Às vezes cheiro-os. Outras vezes toco-lhes. Em todos me demorei e reli: a primeira frase.
Ao lado deles, o lápis de sempre.
Para sublinhar, anotar, ou só fazer desenhos na cama, com a ponta.
A todos destinei um tempo e um estado de espírito.

Os meus livros, por ler, prendem-me com nós invisíveis.
E dão-me um beijo de palavras, todas as noites.

do sabor que vem dos livros



hoje sonhei uma janela
para uma sala cheia de livros
com prefácios erigidos nas persianas
e personagens matizadas nas paredes.
com diálogos escondidos nas correntes de ar
e descrições entornadas pelo soalho.

hoje sonhei uma janela
imaginada e esboçada durante o sono.

e hoje também sonhei
um coração – o meu - a bater confortado
ao compasso da minha leitura.

01/02/16

"os gatos não têm vertigens"

Lá acabei por ver. Porque duas pessoas (cuja opinião prezo) me falaram dele. E bem.
O filme vale pela Maria do Céu. A sua maturidade como atriz revela-se nos silêncios e imprime-se nos diálogos.
Nota-se alguma preocupação dos décors, na fotografia.
O argumento tem alguma poesia; os diálogos entre ela e o rapaz fluem com alguma graça. O vinho devia ser mais credível assim como a filha e o genro da Maria do Céu.
Também não me importava que houvesse editoras que publicassem livros com a facilidade demonstrada no filme.
Gostei muito do plano final. Quando ela dança com o Nicolau.
Mas esta é só a minha opinião.

Para falar verdade, o título é mais giro que o filme.

passear-me, nua, pelas varandas dos teus olhos.


encubro-me em tecidos de pele de dias
que vou coleccionando qual miúda solitária.

um dia dispo-me de tudo
e vou passear-me, nua,
pelas varandas dos teus olhos.
ndas dos teus olhos.

Fern Blacker


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