02/03/16

janelas

já aqui o disse e volto a dizer.
adoro janelas.
fotografo-as, frequentemente, e depois ponho vida dentro delas.
mulheres com histórias. e histórias com mulheres.
imprimo-lhes cortinados de palavrinhas janotas e, na primavera, pinto-lhes os lábios de vermelho.
tenho uma colecção de janelas enternecedora.
tenho janelas de estimação e janelas-amuletos.
tenho janelas de língua afiada e janelas caricatas.
tenho janelas que me perturbam estupidamente e que me arrancam um sorriso rasgado.
já me debrucei em várias e já fiz as pazes, comigo, numa em particular.
já tomei decisões irrevogáveis na minha janela da sala.
e, na minha janela da sala, já fumei cigarros, tão bem acompanhada, com a minha solidão.

as janelas que me circundam - as da minha casa e da minha vida -
têm vistas para dias aproveitados
com conversas, reflexões e mudanças.

alcançam objectivos e guardam memórias.

e abrem-se de par a par,
para me receber todos os dias.

a minha janela cheia de livros


hoje sonhei uma janela
para uma sala cheia de livros
com prefácios erigidos nas persianas
e personagens matizadas nas paredes.
com diálogos escondidos nas correntes de ar
e descrições entornadas pelo soalho.

hoje sonhei uma janela
imaginada e esboçada durante o sono.

e hoje também sonhei
um coração – o meu - a bater confortado
ao compasso da minha leitura.

apatecia-me que o hoje fosse daqui a uns meses.

phot. Ann Simmons-Myers 



01/03/16

"mulheres", no Concurso Nacional de Teatro, Póvoa de Lanhoso

lá vamos nós para o CONTE 2016. o segundo ano, a concurso.
lá vamos nós com a tralha e as borboletas na barriga e a emoção a saltar-nos do corpo.
lá vamos nós, a respirar Teatro e dedicação.
lá vamos nós.


o tempo para hoje

céu pouco nublado, com passagem a nublado ao fim da tarde.
ligeira descida da temperatura mínima e acentuado arrefecimento noturno.

Laura, para os teus lados tudo na mesma.
agasalha-te quando te deitares. por causa das tuas manias de, durante a noite, ires viajar.

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