21/03/16

Josh Lawson, “o outro lado do sexo”


É um filme de 2014. É uma comédia negra, com piadas muito inteligentes e situações mais que peculiares.
Aborda o sexo de um lado que não é costume ser abordado.
Foi uma surpresa mais que agradável.

E tem, na minha opinião, uma das cenas de amor mais bonitas que vi, nos últimos anos, no cinema. Em linguagem gestual. Nesta cena, ri até às lágrimas e fiquei com olhos de rapariga adolescente e com um sorriso meio tonto.

É tão bom quando isto me acontece...

(deu no tvcine, a semana passada).

podias ficar por aqui

phot Krisztián Éder for Nowear Land

podias ficar por aqui a tarde toda
a tatuar-me a pele com o teu toque.

a dizer-me ao ouvido que os dias agora vão ficar maiores
que a vida nos levará a mais um Junho.

podias ficar por aqui a vida toda
engalanado, com o meu amor
protegido pela minha pele.

fica, vá lá.
só temos esta vida.

Vogue Italia March 1991. 'Coco ‘91', photographed by Steven Meisel | Linda Evangelista.

 

20/03/16

estiletes, livros e o poder absoluto da literatura

signos, fonemas, sintaxe, estiletes.
à medida que me embrenho na leitura e nos leitores, vou retirando dos textos significados tão díspares quanto sonoros; os estiletes dos escribas confundem-me e neles vejo saltos altos agulha,
os modelos de leitura e as técnicas pedagógicas para melhor ler dão-me ideias idiotas e salto de técnica em modelo, dou piruetas em cima da cabeça dos autores e escangalho-me, numa queda aparatosa, em cima de citações acaloradas sobre a importância da leitura.
à medida que a tarde avança, avança a minha aventura; sedimento o amor pelos livros, a certeza que o tempo que (não) perdi a ler me proporcionou uma predisposição natural para me deixar arrebatar, irremediavelmente, pelos livros.
Manguel leva-me até à Mesopotâmia, aos primeiros escribas. homens, claro. numa sociedade patriarcal, tal actividade era vedada às mulheres.
vejo-me de cabelo curto, de roupas largas, sentada num banco, a aprender em primeiro lugar os signos da escrita pictórica e mais tarde, os signos abstractos da linguagem cuneiforme.
os meus olhos acompanham os sulcos na argila, as mãos suam-me no regaço, o coração bate-me ao som dos fonemas e dos signos, que nascem e ilustram sentidos e situações.
ali, à minha frente, testemunho uma das maiores invenções da humanidade.
nela me revejo e nela me perco e nela me sublimo.
nela também sou leitora e por isso me transformo.

é este o poder continuo e absoluto dos livros: o arrebatar-nos, o fazer-nos aprender, sentir, criticar, avançar.
avançar em nós próprios, constituindo camadas de saber, experiência e sensações.
fazer-nos maiores,








18/03/16

laurinha

está quase!
mais umas horas de telefonemas infernais, mil assuntos à mistura, preocupações latentes, a falta de estudo acumulada, esta chuva que não nos deixa, trabalho redobrado,
e depois

a sexta-feira de saltos altos, na minha direção
a acenar-me com as pestanas compridas e a convidar-me a entrar
com um belo de um copo de Papa Figos
e o meu Einaudi a confundir-me os sentidos.

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