09/04/16

o antigo carteiro - um restaurante que fica na lista dos meus preferidos do Porto

apraz-me muito falar do que é muito bom.
há muito que não saía de um restaurante tão satisfeita.
em todos os sentidos: comida, espaço, simpatia.
sim, tudo isso num só espaço.
um espaço acolhedor, sóbrio, elegante.
fomos à 1ª ronda, creio eu. a das 20h.
quando entrámos cantava o Gilberto Gil.
acolheu-nos, portanto, uma belíssima banda sonora. mais tarde também por lá passaram a Bethânia, a Gal, a Vanessa. é tão bom encontrar bandas sonoras assim...
esperava-nos uma sala acolhedora e de extremo bom gosto, no que respeita à decoração.
e a comida. sim, a comida.
a comida vale muitíssimo a pena. o atendimento, esse, familiar e caloroso.
na mesa ao lado da nossa, uma estrangeira solitária, francesa, residente em Madrid; numa pronúncia misturada, confessou-me estar rendida ao Porto.
nós também nos rendemos a este carteiro.
vamos voltar, é garantido.
não é todos os dias que se encontra assim um espaço, onde tudo se conjuga para ser o melhor de tudo.

recomendo:
de entrada: os cogumelos, com mel; a alheira, com maçã.
prato principal; o arroz de enchidos, a bochecha de vitela.

como eles tão bem dizem; "comida dos pés à cabeça, comida com pés e cabeça."
fotografia retirada do facebook; https://www.facebook.com/oantigocarteiro/

08/04/16

pés, coração, e uma vida cheia de decisões


phot. by Sally Mann
Olha para trás.
Para o passado recente; ainda vislumbra, nele, cambiantes de si.
O passado recente dela poderia bem ter sido o seu futuro. Mas não foi.
A uma dada altura, encontrou uma velha cancela, de madeira grossa, bruta.
À direita dela, uma extensão visível de um chão sem qualquer interesse: uma massa informe de terra, de cor aborrecida que não terminava, pelo menos até onde os olhos pudessem alcançar.
À esquerda, um trilho fresco, verdejante, com uma estrada plana, vaidosa e serpenteante, até ao mar.
“Ai o mar. Pensou ela. Adorava o mar. Corria para ele todos os dias. Precisava de o ver, de o cheirar. De perceber que, pelo menos, ele nunca acabaria.
Certo é que os seus dois pés rebeldes pararam, depois do movimento que se sucedeu ao instinto. Travaram a fundo. Então ela percebeu que, embora o seu coração tendesse naturalmente para a vereda que a levaria até ao mar, os seus dois pés queriam antes que ela trilhasse a direcção que, aparentemente, não tinha fim.
Foi o que aconteceu. Aventurou-se. Caminhou dias e dias. Cansou-se.
Chorou. Rejubilou. Esperneou. Rastejou. Cobriu lágrimas e despiu desgostos.
Achou que tinha de parar. Teve a certeza de que tinha de seguir.
E foi. E andou. E ainda anda. Ainda andará.
(Ainda ando).

Os pés escolheram bem.
Às vezes o coração aponta-nos o caminho mais fácil porque o nosso coração gosta muito de nós.

Conseguir equilíbrio entre pés e coração não é uma utopia.
Dá trabalho. Exige esforço constante.
Mas também nos faz dormir infinitamente melhor.

07/04/16

mas tá tudo maluco?

O Arroja, há dias, dizia que as mulheres, nas direções partidárias, são sinal de degenerescência.
Hoje o ministro da Cultura, nas redes sociais, afirma que vai dar um par de bofetadas ao Augusto M. Seabra e ao Vasco Pulido Valente.


sou só eu que acho que certas pessoas (com certos cargos) andam a dar-se ao luxo de perder as estribeiras e terem atitudes pouco ou nada próprias?

(se eu mandasse eu dizia-vos. havia uma série de coisas que iam piar bem fininhas.
e muita gente calada e ordeirinha. que nem um passarinho).

06/04/16

"o Palco de Babel"

está acabado o trabalho inicial de dramaturgia / encenação relativo à nova peça que nos vai levar, em Julho, ao Teatro da Trindade.
está acabado o mais difícil, que é pensar na 1ª cena (já que é esta que me leva às outras todas) e fazer a selecção musical.
desta vez vou de alva noto a arvo part; de bach a bernardo sassetti, com paragens entre tantos outros.
missão cumprida. a música, ouvida como um todo, dá-me um todo musical coeso e com alguma personalidade. tudo isto durou sábado e domingo, o dia todo.
acabei o trabalho com a cabeça cheia de música, de projetores de recorte, de silêncios e imagens em vídeo.
projectados na minha cabeça e depois no papel, os  meus actores estão prontos para iniciar mais um trabalho grande e desafiante.
já começo a senti-lo a mexer, mais este filho.
amo as minhas gravidezes de teatro.

impressionante

a minha vontade, hoje,
de dizer: chega por hoje,
vou ali e deixo-me lá, no ali, até amanhã.

há dias em que o hoje
me apetece que seja ontem
ou amanhã.

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