04/05/16

o mais perto de mim




phot. Fiddle Oak

sentar-me ao lado da minha escrita.
é o mais perto que consigo estar, de mim.

03/05/16

as voltas que a vida dá (ou não)


Há dias em que não me sinto preparada para as voltas que a vida pode dar.
Não, não sinto. Acordo fraca, com olhos de menina, com braços a pedir abraços.
Tateio o chão, a medo, e nunca vou muito além da minha zona de conforto.
Nesses dias gosto de ter contacto com aqueles que me são próximos; a familiaridade acalenta-me e acalma-me o turbilhão de medos inusitados.
Nesses dias gosto de sentar-me ao fim da noite e deter-me a olhar para a extensão de noite que absorve vales, montes e casas.
E nesse mar de breu estendo medos, sacudo desvarios, espanto tonteiras.
E vou deitar-me mais apaziguada.
Embalada com as vozes que colecionei, de dia.
Embalada com as mãos que apartei, da noite.

Maurice Tabard (1897 - 1984) Nu de dos, 1930


02/05/16

dança

fui ver dança. há tanto tempo que não o fazia...
em cena, ARINGA ROSSA de Ambra Senatore - CCN de Nantes.
um espectáculo sobre um quotidiano imaginário, utópico ou não.
a deriva dos sonhos, das tarefas monótonas, dos sentimentos unos ou desencontrados.
"Nove indivíduos unidos numa comunidade, por acaso ou por necessidade".

gostei muito da luz do espectáculo.
gostei dos intérpretes (sim intérpretes - bailarinos / atores),
gostei da roupa (bocados de uns nos outros).
gostei da música, dos ruídos, dos silêncios e dos barulhos dos corpos.
gostei da efemeridade de certos momentos e do surrealismo de outros.
gostei.
gostei de ver (rever) que a arte, hoje, se multiplica em diferentes diálogos e diferentes registos
e que as fronteiras das várias expressões artísticas às vezes se fundem.

(só não gostei nada, mesmo nada, de ver gente a sair da sala.
a meio de uma cena, em silêncio.)

a educação cívica devia ser uma disciplina obrigatória.



Helmut Newton


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