o facto, entre muitos outros, de a minha não me ter deixado, em criança, usar cabelo comprido e mexer nos seus brincos, fez com que, e ainda bem que fez, eu tivesse de
em conjunto com as irmãs e primas usar da cabeça para arquitetar alternativas
e as alternativas que arquitetamos ainda hoje me dão vontade de brincar tardes fora
sem freio, sem horas.
então: instalávamos nas cabeças pequenas, grandes panos compridos, finos ou volumosos (conforme o cabelo que quiséssemos vestir naquele dia)
e nas orelhas miúdas, delicados brincos-de-princesa a fazer de brincos.
a saudade dessas tardes idas vem-me à pele numa toada radiante, completa
com cheiro a leite com chocolate, e pão com marmelada feita em casa
com a música do vento a entrelaçar os verdes do quintal entre os dedos finos
com a visão (conjunta) de um futuro onde não há silêncios, preocupações, más noticias, desilusões
e chuva no mês de Junho.
Katsuta Mako






