07/07/16

delicadezas

procuro-as todos os dias.
preciso delas.
amaciam-me as horas ásperas.
fazem-me mais pequenas as esperas.

delicadezas
guardo-as em mim como sangue e células.

06/07/16

tinha tanta vontade (e saudade) de ler, ontem,

que levei, para a casa de banho, um folheto com publicidade, do Lidl.

é assim que me sinto

by Victor Demarchelier

faltam-me horas ao dia 
falta-me tempo para este meu sítio
e falto-me, a mim, nas minhas pequenas coisas.

mas é só até dia 28 deste mês.
até estrear o meu "Palco de Babel".
depois disso acalmo.
e os meus cabelos também. assim o espero.

02/07/16

amor

as minhas horas não têm sido as tuas horas.
as minhas pernas têm andado longe das tuas. 
o meu pé, à noite, demora a encontrar-se com o teu.
as minhas mãos trabalham em coisas tão díspares das tuas.
a minha cabeça trabalha a tantos de quilómetros de distância da tua.
mas há uma coisa, sabes, que está sempre.
sempre perto. 
como a folha de um caderno. como um dos fios da mesma embalagem de esparguete.
como "aquela" nota única de uma sonata. como o atacador de uma sapatilha.
e essa coisa - o amor - tem a mesma boca e a mesma língua.
tem a mesma cadência e a mesma orientação.
posso estar longe, ocupada, absorvida, mergulhada.
posso andar desvairada de coisas para fazer
posso passar-me de nervosos miúdos
posso comportar-me às vezes como uma miúda.
mas o meu amor e a minha boca - ai esses dois -
vão andar sempre no teu encalço.
esses sim, serão a tua sombra e a minha luz.
sempre.

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