04/08/16

cenouras, filmes e uma vida cheia de cinema



Quando era miúda ouvi muitas vezes:
“Comer cenoura faz os olhos bonitos”.
Lá fui comendo cenouras cruas. Os olhos ficaram normais, castanhos, sem nada que os distinguisse de outros olhos castanhos.


Aos miúdos de hoje eu não digo que comer cenouras faz olhos bonitos mas sou gaja para dizer:
“Vê filmes, vê muitos filmes, vê muito, vê tudo;
para apurares o que gostas e explorá-lo o mais que possas, para rejeitares o que não interessa.”
No meu caso, ter visto muitos filmes fez-me melhor que as cenouras ou que o óleo de fígado de bacalhau.
Com os filmes a minha imaginação passou a ser uma parte autónoma de mim; uma coisa com vida e vontade próprias, que se pisga do meu encalço quando quer e bem lhe apetece. Que me abana, testa os limites, empurra para desafios e, frequentemente, me põe a dançar com o Fred Astaire nas filas de trânsito ou do Pingo Doce.

03/08/16

do amor que os corpos aprenderam

Benoit Courti

esta noite quando me  deitei, já dormias.
curioso como tinhas uma das mãos, aberta.
pensei que pudesses estar à minha espera.
o amor tem destas pequeninas coisas gramaticais: o verbo, o pronome, o sinal de acentuação, o advérbio...

quando me deitei essa tua mão estendida procurou-me.
uma parte do meu corpo. um toque, só. 
e, quando coloquei na tua mão aberta a minha mão cansada,
fecharam-se as duas mãos em sono e lençóis e ficaram, entretidas,
a namorar o amor que lhes ensinámos.
 


02/08/16

literatura para férias 2016


Ainda não fui de férias, mas já tenho a lista dos livros que vou ler.
Tendo em conta que nada leio (excetuando a bibliografia do Mestrado) desde abril, a lista que produzi é extensa e demais apetecível. Não sei mesmo se me aguento até 13 de agosto.

Para ler ao fim de tarde, à sombrinha:
  Uma rapariga é uma coisa inacabada, de Eimear McBride
  Manual para mulheres de limpeza, de Lucia Berlin

Para acompanhar com bolas de Belim, na praia:
  Stalker, de Lars Kepler
  O domador de leões, de Camilla Lackberg
  As raparigas esquecidas, de Sara Blaedel
  A rapariga apanhada na teia de aranha”, de David Lagercrantz


Para degustar, ao deitar:
  Flores, de Afonso Cruz
  A amiga genial, de Elena Ferrante (que ficou esquecido no Algarve, com os restantes desta tetralogia)

(com a certeza que, desta vez, eu é que começo a jogar)

Agasalhar-me com braços ao contrário.
Inverter cores, mãos, palavras e decisões.
Baralhar e voltar a dar.

01/08/16

férias, quase, quase

diz que sim, que é Agosto
que vai ser mês quente.
diz que sim, que é mês de férias e que faltam apenas duas semanas para as férias.
vou fazer como fazia quando era pequenita:
contar os dias, um a um, com ansiedade crescente, para que chegue depressa o dia 13.
estou a precisar muito.
de ir de férias comigo.

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