11/10/16

livros, livrinhos, diários, agendas.

muito gosto de voltar aos meus escritos. chamo-lhes tantos nomes. livros, livrinhos, diários, agendas.
revisito-os com alguma regularidade e sempre com fins diversos.
às vezes preciso de encontrar ecos passados. às vezes adoça-me a boca uma memória que arrepia.
às vezes é necessário que se lembre que as coisas já foram piores.
às vezes urge respirar o passado vertido em frases serenas.
às vezes estou no dia tal e vou a um livrinho antigo, ao mesmo dia tal, e comparo as tais coisas que escrevi ou que vivi.

guardo-nos numa estante, do escritório, na prateleira mais alta.
não sei se para ficar longe dos humanos, se para ficar mais perto de qualquer outra coisa.
gosto das suas lombadas, que me são familiares de sangue, alinhadas numa ordem aparentemente desordenada, inchados de letras e vestidos a rigor com frases vistosas e presumidas.
guardo-os mentalmente em categorias diferenciadas de amor e necessidade.
são porções de mim, outros, coisas, lugares, livros, cinema, música, trechos, sabores, cheiros, toques, sedes e seda.
são o que de mais meu me é.

(são a parte que mais gosto de mim)

07/10/16

viagem ao centro da pele

vou ataviar-me de pele nua
e passar este fim-de-semana a calcorrear
cada centímetro do meu corpo.

06/10/16

calor e frio e frio e calor

xiça. começo o dia com calor. visto-me em conformidade. venho trabalhar.
arrefece. o nevoeiro entranha-se na cidade e fico gelada até aos ossos.
já me aconteceu isto, no inverno, ter um frio insuportável e ter de ir aos chineses comprar um agasalho. uma capa grená bem gira, por sinal.
houve gente que me perguntou ah e tal que gira a tua capa onde compraste? nos chineses respondi e as respostas que tive foram muito engraçadas. nos chineses isso é que era doce não me digas laura a sério nos chineses?
só sei que se continuar este briol terei que lhes voltar a fazer uma visita. e quem sabe outra compra gira.

04/10/16

a minha família do trabalho


Trabalhar com pessoas há 20 e muitos é giro. E às vezes não é.
Com algumas, sugamos-lhes as angústias e os problemas que trazem de casa.
Com outras, tornamos nossa a alegria e o entusiasmo.
A verdade e que são a nossa segunda família. É um cliché, eu sei, mas é tão verdade.
Trabalhamos hoje (e durante 3 meses) numa sala pequena, num 9º andar. As secretárias tocam-se e a luz entra a jorros pela janela do lado esquerdo.
O silêncio vai-se intercalando com piadas que já conhecemos de olhos fechados. Misturam-se perfumes, gostos, bolachas, telefonemas, gargalhadas, espirros do ar condicionado.
Combinamos que durante estes três meses iremos fazer um lanche simbólico, todas as sextas-feiras.
Estava eu agora aqui a pensar que esta minha família do trabalho me vai fazer muita falta, quando um dia já não estivermos todos juntos.

03/10/16

não sei como dizer hoje

que não me apetece dizer nada.
pronto, já disse.

(quando estou cinzenta não há um raio de uma outra cor que me pegue).

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