24/10/16

vá, laura, escolhe

(Amaryllis by Steven Myers)

estou a precisar de me oferecer
uns diazinhos de descanso fora do meu jardim habitual.

apetece-me ir para um sítio onde as árvores sejam pássaros
e onde possa plantar palavras para depois colher histórias.


Teatro Amador


Regresso aos meus dias com o coração cheio de Teatro Amador.
Faço esta distinção propositadamente.
Porque o Teatro Amador deu-me muito mais de tudo.
Deu-me olhos amedrontados mas sedentos de aprender.
Deu-me corações tristes que depois se transformaram em corações serenos.
Trouxe-me gente incrível. Trouxe-me tablados inesquecíveis.
Fez-me agradecida, para sempre, a este tipo de organizações.
E imprimiu-me no corpo das memórias mais bonitas da minha vida.


o Teatro Amador“tem como destinatário a própria comunidade, reforçando sociabilidades e criando um lastro de história comum, por vezes indestrutível”.
 (Maria João Brilhante)

21/10/16

teatro

amanhã vou estar aqui, como oradora, a falar de teatro amador.
vai ser muito bom. vou falar de uma das coisas que mais gosto de fazer na vida.
vou partilhar a minha experiência e vou saber experiência dos outros.
vou aprender e reaprender. vou ensinar, espero eu, algumas coisas.

e estou feliz
porque levo comigo todos aqueles que nestes últimos 20 anos me têm acompanhado
nesta segunda vida - a do teatro.

20/10/16

19/10/16

cinema



Gosto de ver a vida a passar através da janela do meu carro.
Como se fosse cinema, a vida: os pássaros, as árvores, os passeios e as mulheres de saltos altos; os prédios, os vendedores de rua, os cães e as montras das lojas.
A vida, vista através dessa janela, faz-se num plano apertado com luz aveludada e imprevista.
A vida faz-se numa banda sonora de cores, motivos, pormenores e sombras.
Se encostar a minha mão ao vidro posso fingir que lhe toco, à vida.
Fingir que afiro:
a suavidade das penas dos pássaros
o arrulhar das folhas numa cantiga, plácida, de Outono
a música dos sapatos das mulheres graciosas
o cheiro das famílias a esgueirar-se pelas frestas das casas
as palavras aprendidas dos vendedores móveis
a respiração apressada dos cães errantes
e a orquestra, de vida, de sons cheios de vida, das lojas cheias de gente.

Gosto de fazer cinema com quase nada.
E meter, em bocadinhos de cinema nos meus olhos, bocadinhos de quase tudo.


A partir desta belíssima fotografia, gentilmente cedida pela Sónia.
Há mais desta arte no http://ocorpoestremecedesaudade.blogspot.pt
(muito) obrigada.

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