03/11/16

se a minha cabeça de criança falasse


Audrey Hepburn photographed by Cecil Beaton, 1964

ícone, sem dúvida. ídolo (meu), sem dúvida.
lembro-me de a ver pela primeira vez em criança. ainda a televisão de casa dos meus pais era a preto e branco. e de ficar quieta, muda, estática, arregalada.
fui coleccionado, pela vida, memórias, recortes e interpretações.
comove-me ainda hoje vê-la a cantar o "Moon river" ou a caminhar como se flutuasse.
comove-me ainda hoje (muito) a sua elegância, elegante até ao fim.
continua a ser, para mim, uma referência de indiscutível beleza, elegância e sobriedade.

deixar isto deixar aquilo


Irrita-me esta coisa de, com o passar do tempo, ter de deixar isto e aquilo.
E as coisas que não nos deixam a nós?...

(pausa longuíssima, na qual respiro e até tenho tempo de ir buscar um café) 

Ando a pensar nisto há muito mas só agora escrevo. Porque me custa e sei que, escrevendo, estou a um passo mais próxima de eventualmente o poder conseguir.
Quero deixar de fumar.

Pronto já disse. Fico com cara de pateta a olhar para o que escrevi.
Nunca pensei fazê-lo tão cedo.


Gosto de fumar. Tenho de o admitir. Há cigarros que falam comigo e me dão alento e companhia.
Há cigarros que atravessaram comigo histórias únicas.
Mas... também é verdade que
me sinto muitas vezes discriminada, por ser fumadora.
Há cigarros que já fumo sozinha e já me incomoda fazê-lo. O cheiro no cabelo também me incomoda. Na roupa. E na carteira, ao fim do mês.

Está dado o primeiro passo. Às vezes preciso de ler para que se torne mais verdade.
E está lido. Porque fui eu que o escrevi.






tarot real



Ayala El Moussa, da 25th century, pegou na ideia do Tarot e fez estas cartas em tamanho real.
pode ser visto aqui: http://25thcentury.co/

02/11/16

cemitérios turísticos

pelos vistos o Porto já tem. e fazem-se visitas à noite. ouvi este facto pela boca do grande Germano Silva, que quando fala do Porto é absolutamente delicioso.

até há uns anos atrás ia a cemitérios com o propósito único de cumprir com determinadas obrigações sociais, relacionadas com algumas pessoas.
nunca gostei particularmente destes espaços por não me identificar com o principio que têm subjacente.
além disso, em Portugal, sempre vi gente triste e escura nos cemitérios e isso era algo que me metia alguma impressão.

quando visitei o Père Lachaise, pela primeira vez, tive uma visão completamente diferente.
sei que falo de um dos maiores cemitérios do mundo e dos mais visitados; mas encantou-me a ordem, o verde, a história vertida em estátuas e a arquitectura do espaço; a curiosidade das pessoas, a vida a caminhar entre a morte.
se são os famosos que lá se encontram enterrados que chamam os milhões de pessoas que lá correm, todos os anos, que seja.
em parte foi isso que na altura também me moveu. nomes como Chopin, Piaff, Duncan, Proust.
estes e tantos outros, que ajudaram a criar grandes marcos na história universal.

aneta ivanovas,double exposure photography


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