20/02/17

eu queria escrever hoje uma coisa estupidamente bonita

phot. tom munro


que levasse todos os feios que me obrigam a ver.

Retalhos do fim-de-semana:


Fui ao teatro ver a “A noite da iguana” do meu mais que tanto adorado Tennessee Williams, encenado por Jorge Silva Melo, pelos Artistas Unidos e encantou-me a luz, o desenho do espetáculo – tão americano; encantou-me a fibra e a emoção do Nuno Lopes; encantou-me ter visto a peça com o elenco da minha peça: as minhas (quase todas) mulheres.

Comecei uma série nova que está neste momento no 1º lugar do meu ranking de séries: “The Affair”.

Emocionei-me (muito) com o final da 5ª temporada de “Downton Abbey”;

Consegui atenuar as repartições do meu cérebro, que guardam assuntos tão díspares mas tão relevantes.

A borbulha do meu queixo ainda se encontra instalada, a parecer aquelas inquilinas que que já criaram raízes das janelas das casas.

Andei às voltas na cama, ontem, para adormecer, a querer empurrar a segunda-feira do horizonte.

E hoje, segunda-feira, só consigo pensar na bendita viagem que quero fazer a Marraquexe.

17/02/17

a verdade da exposição



Helmut Newton


Escrevo o que temo, o que me envolve, o que me toca, o que me incomoda.
Às vezes dizem-me que escrevo demais, que me envolvo demais, que me toco demais, que me incomodo demais.
Demais? E o que é isso, o demais? Qual é a medida? Quem tem a bitola?
Selecciono as verdades que exponho. Nunca penso muito nisso. Há verdades que guardo só para mim, no canto mais estreito do meu peito.
Gosto dos laços que se criam com a verdade que se escreve.
A verdade que escrevo não ofende nem incomoda ninguém. É minha. É-me familiar. Vem-me do sangue. Às vezes ajuda-me a cicatrizar feridas. Às vezes ajuda-me a adormecer devagar quando o meu dia acabou há muito, de cansaço.
Um dia quero sentar-me, quando já for velha e tiver o cabelo comprido, numa poltrona vintage perto de uma janela com parapeito trilhado, com a luz oblíqua do sol de Primavera a beijar-me a pele antiga; nesse dia vou calcorrear o meu “sítio das pequenas coisas” e ruborescer, ficar com o peito apertado, gargalhar com vigor, estremecer de bonito, recordar com saudade boa.
Tenho a certeza
que nesse dia terei a certeza
de ter feito o melhor ao escrever no meu blog - a verdade de mim.

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