03/03/17

gente

phot. Michael Kenna




Sei de gente que podia ser árvore.
Daquelas que duram séculos.
Que se abrolham em vento fácil e em ramos elegantes.
E, se assim fosse, passaria muitas tardes da minha vida a aprender a seiva delas, no silêncio e nos pássaros pequenos.

02/03/17

(autor desconhecido)

Não, esta não sou eu,
É a outra de mim – a morena por dentro –
A que canta baixinho com voz de Gal
Que diz palavrões fortezinhos, no trânsito,
Que se espanta com assentos ortogràficos ao contràrio e erros ortugráficus
Que diz não a açorda e a raspadinhas de 5 euros
Que diz sim à coerência e aos valores morais
Que diz muito sim ao castelo de livros por ler
Que diz muito não à violência seja de que género for
Que diz “depende” a uma discussão sobre os paraísos fiscais
Que diz “talvez” a um passeio no monte, às 9 da matina de domingo

e que diz (todos os dias da sua vida)
que fiquem junto de mim, por muitos anos,
todos aqueles que me fazem bem.

01/03/17

notícias destas sabem-me tão bem

o meu Teatro. que é feito de nós.

http://verdadeiroolhar.pt/2017/03/01/retorta-e-cristelo-novamente-nomeados-no-concurso-nacional-de-teatro/

pai

o teu colo ainda cabe no meu tamanho.
mas agora sou eu que te conto histórias para te por os olhos a brilhar como duas estrelas.

4ª feira de cinzas

esta noite tive pesadelos com as meninas do Carnaval Português, que imita o Carnaval do Brasil.
no meu sonho as meninas, todas descascadas, estavam com uma gripo descomunal e andavam a atirar vírus para toda a gente, com andar à "Walking Dead" e com sorriso de quem sabe que está a ser vista por muita gente.

o problema disto é a quantidade de informação absurda que tenho na minha cabeça que me faz misturar rabos roliços e meninas descascadas com mortos vivos.

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