04/05/17

as minhas coisas


guardo-as todas junto ao peito.
quando for velha, vou rezar terços de coisas pequeninas.
das minhas coisas.
porque é nessas em que de facto acredito.

03/05/17

diário


pois é. voltei ao papel.
há mais de 4 anos que não me despia nele.
chegou agora a hora outra vez.
e estou muito contente por ter voltado.

humanos

 


Brad Wilson

parece que juridicamente estamos protegidos.
mas o homem é a lei que nos assusta mais.


02/05/17

“a mulher que gostava de virgulas”


phot. olena kassian

começou, a dada altura da vida, a trocar vírgulas.
talvez porque não tivesse beijos.
e beijos e vírgulas eram para ela das coisas mais bonitas.

nunca conheceu homens que lhe dessem beijos.
mas conheceu muitos que lhe deram reticências.
e a brindaram com pontos finais.
já as vírgulas, que era o que ela queria mesmo, nada.
ela queria, queria o impulso, a paragem brusca, a interrupção premente.
ela queria o retomar depois de uma frase, um afago, um segredo.
mas não, nada.
apenas composições erráticas, sem pejo, sem assombro.

talvez por isto tudo se tenha tornado numa mulher um bocadinho estranha.
que se note bem – um bo-ca-di-nho estranha.
dizia-o, este “bocadinho”, com uma boca afrancesada, pintada com batom sem cor.

talvez por isto tudo não tenha feito testamento,
talvez por isto tudo não tenha guardado os beijos nem os homens,
e talvez por isto tudo nunca tenha dito a ninguém,
que o nome que gostaria que lhe tivessem dado
era
“ a mulher que gostava de virgulas”.

o nosso encontro de bloggers (o 5º) e os nós de todos nós




Como se encontram as pessoas? Porque as procuramos? Porque nos ligamos a elas?
Acredito que sim, que há uma qualquer razão, que tem ou não explicação mística, que tem ou não mero acaso, que tem ou não curiosidade ou até mesmo predestinação.
Sei que me encontrei, no dia 30 com pessoas do mundo da blogosfera.
Sei apenas que fui (fomos) muitíssimo bem recebidos. Que os abraços foram francos e calorosos.
Sei que gostei de conhecer o rosto e os olhos de alguns que já me prenderam.
Sei que gostei de conhecer a voz real de alguns cuja voz eu já canto baixinho.
Sei que gostei (muito) de conhecer outros que ainda não conhecia.


O mundo está raro de pessoas, afetos, convívio, partilha.
Mas nem sempre.
O que testemunhei no dia 30 de abril, no 5º encontro de bloggers, foi uma prova viva e um testemunho de pessoas que partilham afetos, palavras, amizade.
E assim sendo constroem nós.
O meu ainda é pequeno e ainda não está estreitado.
Mas sinto que estou e quero estar no caminho certo de o apertar, com todos vós.
A nós. E aos nossos nós.

Arquivo