Um muro que vede palavras, energias. Menos boas.
Um muro que me permita espreitar e saltar sempre que me apeteça, para dentro.
Para dentro do meu espaço, para dentro dos meus livros, para dentro da minha escrita, para dentro do meu trabalho.
O meu muro tem colagens nas paredes.
Tem arte que fui colecionando durante os anos: imagens de filmes antigos, recortes de fotonovelas, excertos de bilhetinhos das minhas pessoas, pautas de Bossa Nova para guitarra, uma ou outra receita da minha avó Amélia que tinha muita mão para a cozinha.
Acho que foi por isto tudo que hoje comprei um “livro de mercearia” para começar a fazer as minhas colagens.
Sempre as fiz, em cadernos dispersos, em folhas ávidas de pressa, à socapa, no trabalho.
As colagens fazem parte de mim desde que me conheço.
E desta vez apetece-me fazer colagens diferentes.
Será que é porque finalmente mudei algumas coisas de sítio, na minha vida, e quero materializá-las de alguma forma?







