15/09/17

os cantos da minha casa


este é o meu canto de leitura, de dia e ao fim-de-semana.
esta mesa veio comigo das outras casas.
este pano era da minha avó e anteriormente da mãe dela.
os livros vão e voltam, parecem inquilinos viajantes de uma metrópole.
as chávenas de chá e os copos de vinho também fazem companhia aos livros e às vezes até as gatas.

só eu fico sempre, perto dela.
este é um dos cantos, da minha casa, que eu gosto mais.

13/09/17

Si on disait en français, serait-il plus beau?

phot. Annelies de Mey



Que te digo eu?
Diz-me tu primeiro.
Ou dizemos ao mesmo tempo.
Ontem fiquei à espera que dissesses.
Também vi no teu rosto e no nervoso de um dos dedos da mão que esperavas que eu dissesse.
Fui deitar-me a pensar porque é que não disse.
Adormeceste a pensar porque é que não disseste?
E hoje, que fazemos?
Dizemos?
Dizes tu ou digo eu?



Se disséssemos em francês seria mais bonito?

12/09/17

fugiram-se-me


Já procurei as palavras em todos os bolsos, tecidos, gavetas e livros.
Creio que precisem de descansar, já que andaram aos trambolhões por estes dias.
Não as ouço, sequer. Jazem decerto num qualquer espaço alvo, sozinho.
Nem o perfume lhes sinto. Acho que estão amuadas.

São mimadas e caprichosas, as minhas palavras.
Mas não há nada que uma boa noite de sono não cure.

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