Ano a ano vou somando camadas de coisas, que me vão forrando a pele.
Este ano não foi exceção. Acumulei vitórias, descobertas, conquitas e conhecimento.
Ri muito e também chorei. Li alguns livros, mas nunca os suficientes.
Abracei muito e beijei sempre que pude.
Reposicionei decisões e pessoas na teia da minha vida. A teia da nossa vida deve ser composta por todos aqueles que nos acrescentam, nos respeitam e nos merecem; os pequenos elos, como pequeninos fios de vidro e de sol, vão tecendo uma trama forte de dias bonitos e alegrias partilhadas e conquistadas. Para que no fim da vida possamos ter uma manta quentinha, de coisas boas.
Não foi desta, ainda, que fiz marmelada caseira e que fiz o curso de mergulho.
Mas foi este ano que descobri a corrida e a capacidade de dizer não, sem peso.
Deitei a cabeça na minha almofada, todas as noites, com a certeza de missão cumprida, nas pequenas coisas do dia-a-dia.
Conheci gente incrível, reforcei laços e despedi-me de rotinas que fazem parte de um passado que me ensinou a caminhar, direita e sem receio.
Tive as minhas gatas no colo, quase todos os dias, fiz muitas vezes arroz com coentros e ri-me estupidamente com as coisas do meu pai.
Nadei, construí, refiz e escrevi muito.
Cortei o cabelo, andei no monte com a língua de fora, dei aos outros o Teatro em que acredito e trabalhei, todos os dias, para ser uma pessoa melhor.
Apetece-me continuar a fazer isto, pelo menos, por mais um ano.
Com verdade, em consciência, com riso e delicadeza, com garra e com muitos de vocês, que aí estão e que são parte integrante da minha vida.
49 é um numero bonito. Fica bem com a vida. Fica bem com a luz morna da minha sala silenciosa.
E com o Sinatra, que neste momento canta só para mim; fica bem com a minha celebração, a minha paz e o meu sorriso.
“But now the days are short, I'm in the autumn of the years
And now I think of my life as vintage wine
From fine old kegs
From the brim to the dregs
It poured sweet and clear
It was a very good year”