04/01/18

O Coração É um Caçador Solitário


custou-me despedir deste livro. especialmente do Senhor Singer, um mudo branco, gentil e tolerante (melhor dizendo, uma personagem incomparavelmente bela).
custou-me despedir de tudo. do calor, do luar, do lugar sem nome, da luta dos negros, da pobreza, da grandiosidade dos ideias, das ambições esquecidas
 e da música que morava no peito e na cabeça de Mick.

agora entendo, porque é que este livro é considerado como um dos grandes do século XX.


Informação retirada de https://www.wook.pt/livro/o-coracao-e-um-cacador-solitario-carson-mccullers/5102119:

Sinopse
No Sul profundo dos Estados Unidos, em plena década da Grande Depressão, num cenário desolado, de pobreza, intolerância e isolamento, John Singer, um mudo, torna-se de súbito confidente de um grupo de personagens desenquadradas da sociedade. Todos procuram à sua maneira preencher o vazio deixado pelos sonhos perdidos - e todos, por algum motivo, acham que Singer os compreende. Mas Singer, impassível na sua mudez, não tenta alcançar nada senão a atenção de um amigo que não manifesta mais que indiferença… Uma obra expressiva e poderosa que permanece actual na sua projecção de uma realidade intrínseca à condição humana.

Críticas de imprensa
«Um livro notável… A escrita de McCullers é apaixonante.»
The New York Times

«McCullers escreve com serenidade e realismo, com uma intuição e tolerância profundas sobre a psique humana.»
Boston Globe

Autor: 
Carson McCullers nasceu na Georgia em 1917 e começou a escrever desde muito cedo. Com apenas 23 anos publicou O Coração É Um Caçador Solitário (1940), um livro muito bem recebido pelo público e pela crítica, que foi adaptado ao cinema e ao teatro e recentemente eleito um dos 100 melhores romances do século XX. No ano seguinte, saiu Reflexos Num Olho Dourado, que viria a ser imortalizado pelo filme com o mesmo título, realizado por John Huston e protagonizado por Marlon Brando e Elizabeth Taylor. Ambos os romances encontram-se publicados pela Presença nesta coleção. A extensa bibliografia da autora inclui ainda outros títulos que ficaram célebres, como The Member of the Wedding (1946) e A Balada do Café Triste (1951).
Carson McCullers morreu em Nova Iorque em 1967.


02/01/18

2018


não fiz planos, não comi 12 passas, não abracei 20 e muitos.
ma desejei com muita força que 2018 floresça em várias coisas e de várias formas
e me continue a trazer por cá.
(e a vocês também).

18/12/17

carta ao Pai Natal, 2017


Pai Natal,

Estive tentada a repetir a carta que te escrevi no ano passado, mas achei que me ias mandar bugiar.
Este ano não estou muito para cartas.
Escrevo cada vez coisas mais curtas, incisivas, pequenas e sintéticas.
Não sei se tem a ver com a idade, às vezes acredito que sim. Se calhar o que poupo hoje, em dias, em palavras, sobra-me depois para desejos, preces, introspeções e conclusões.
Também é justo. Na ventania dos vinte anos escrevi quilómetros. Ainda hoje me vejo à nora para ler a quantidade de rios, países e cidades que escrevi.
Hoje estou circunscrita ao que me diz, ao que me importa, ao que quero preservar e ao que conquistei, graças às minhas escolhas.
E o que me circunscreve é o mundo inteiro das minhas pequenas coisas: da família, das pessoas, da saúde, do amor, da amizade, dos livros, das malhas, do diálogo, dos animais, do aconchego, do encanto, da arte, da escrita, da vida.
Este ano não te peço nada. Não quero, não preciso. Tenho tudo aquilo que é importante, neste momento.
Vou ficar muito quietinha, para que nada deste meu mundo mexa, nesta quadra do Natal.
Não quero que mexa, preciso que não mexa.
Tenho tudo aquilo que é importante, neste momento.
(e acho que nunca na minha vida tive tanto.)

Boas Festas a todos vocês: os que estão comigo e os que me leem todos os dias e comigo se relacionam, por aqui.
Um beijo repenicado de Natal, com música de fundo. Escolham vocês.

Pode ser Frank Sinatra ou Dean Martin.
Rita Lee também calha bem. (na verdade Rita Lee calha com qualquer coisa…)

15/12/17

“Floating Houses” de Matthias Jung




Surpreendente, o trabalho de Matthias Jung.
As suas “Floating Houses” transportam-nos para sítios inusitados.
Como ele diz, e bem, os seus trabalhos são “pequenos poemas arquitetónicos”, intrincados e profundamente interessantes.

(Eu era moça para passar um fim-de-semana numa destas casas...)

My Foolish Heart



phot. Eric Benier Burckel

vi-a pulsar sem pulso, voar sem asas, chorar sem veias.
vi-a partir-se em duas, fechar-se em dias, abrir-se em rasgos.

vi-a fazer isto tudo
e depois vi quando se desfez
e depois ainda
depois
vi-a sarar-se num voo pleno e seguro.

aterrou na vida do costume

e, no dia seguinte, a Primavera já tinha voltado aos seus olhos.

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