09/01/18

excerto

"Um dia li um livro e toda a minha vida mudou. desde a primeira página, sofri com tanta força o poder do livro que senti o meu corpo apartado da cadeira e da mesa em que me sentava."

Orhan Pamuk, "a vida nova".

08/01/18

Ultimamente tudo me detém.



Ultimamente tudo me detém.
O tanto, o tédio, o tempo tonto e até as particulazinhas de pó que ensaiam uma dança minúscula à luz morna da tarde envergonhada do meu domingo.
Ontem andei a ver os quadros que habitam as paredes da minha casa, de mãos atrás das costas, como fazem certas pessoas em museus.
O ver, assim depurado e vagaroso, reflete-nos por vezes os pormenores que a vista, à primeira vista, não alcança.
Desde o início do ano que ando a prestar mais atenção às coisas que sempre me circundaram, seja numa tentativa de as redescobrir, seja pelo simples facto de que olhos para elas e penso “porra, que seria a minha vida sem ti”.

06/01/18

habemos peça

ó Teatro, meu farsolas,
andaste fugido, a fazer-me de longe caretas pueris;
calçaste sapatos de corrida, que me roubaste, bem janotas e puseste-te a milhas.
e, de longe, continuaste a acenar-me, com os olhos de menino terrível e com o sorriso triunfante dos fedelhos insuportáveis.

e eu? Laura do teatro há quase trintas
deixei-te ir.
às vezes as despedidas são voltas revigoradas.
às vezes as costas são a frente das coisas verdadeiras.
andas a rondar-me há dias.
hoje pousaste-me na mão.
vinhas cabisbaixo, com ar de caso, de olhos pequenos de medo e escuros de embaraço.
não me disseste grande coisa.
eu nada te disse.
pousaste-me na mão. e a minha mão começou a escrever.
depois aninhaste-te no colo do meu peito e adormeceste, com olhos de mim.
e eu verti para o papel as palavras que encontrei nas tuas asas.

(amanhã vens comigo à Feira que te lixas.
e tão cedo não sais do meu encalço.
e amanhã és tu quem arruma a cozinha.)

04/01/18

O Coração É um Caçador Solitário


custou-me despedir deste livro. especialmente do Senhor Singer, um mudo branco, gentil e tolerante (melhor dizendo, uma personagem incomparavelmente bela).
custou-me despedir de tudo. do calor, do luar, do lugar sem nome, da luta dos negros, da pobreza, da grandiosidade dos ideias, das ambições esquecidas
 e da música que morava no peito e na cabeça de Mick.

agora entendo, porque é que este livro é considerado como um dos grandes do século XX.


Informação retirada de https://www.wook.pt/livro/o-coracao-e-um-cacador-solitario-carson-mccullers/5102119:

Sinopse
No Sul profundo dos Estados Unidos, em plena década da Grande Depressão, num cenário desolado, de pobreza, intolerância e isolamento, John Singer, um mudo, torna-se de súbito confidente de um grupo de personagens desenquadradas da sociedade. Todos procuram à sua maneira preencher o vazio deixado pelos sonhos perdidos - e todos, por algum motivo, acham que Singer os compreende. Mas Singer, impassível na sua mudez, não tenta alcançar nada senão a atenção de um amigo que não manifesta mais que indiferença… Uma obra expressiva e poderosa que permanece actual na sua projecção de uma realidade intrínseca à condição humana.

Críticas de imprensa
«Um livro notável… A escrita de McCullers é apaixonante.»
The New York Times

«McCullers escreve com serenidade e realismo, com uma intuição e tolerância profundas sobre a psique humana.»
Boston Globe

Autor: 
Carson McCullers nasceu na Georgia em 1917 e começou a escrever desde muito cedo. Com apenas 23 anos publicou O Coração É Um Caçador Solitário (1940), um livro muito bem recebido pelo público e pela crítica, que foi adaptado ao cinema e ao teatro e recentemente eleito um dos 100 melhores romances do século XX. No ano seguinte, saiu Reflexos Num Olho Dourado, que viria a ser imortalizado pelo filme com o mesmo título, realizado por John Huston e protagonizado por Marlon Brando e Elizabeth Taylor. Ambos os romances encontram-se publicados pela Presença nesta coleção. A extensa bibliografia da autora inclui ainda outros títulos que ficaram célebres, como The Member of the Wedding (1946) e A Balada do Café Triste (1951).
Carson McCullers morreu em Nova Iorque em 1967.


02/01/18

2018


não fiz planos, não comi 12 passas, não abracei 20 e muitos.
ma desejei com muita força que 2018 floresça em várias coisas e de várias formas
e me continue a trazer por cá.
(e a vocês também).

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