17/01/18

encontro com bonito. do bonito a valer.

vim aqui para escrever, juro. depois de dias de trabalho intenso e falta de tempo em absoluto.
o spotify acompanha-me, nestes momentos. à falta de imaginação para ir buscar música, valho-me em certos dias das propostas do "daily mix".
claro, brasileiras, inspiradas na Elis, no Caetano, no Chico, na Gal, no Egberto, em tantos, em todos.
hoje foi um desses dias de proposta e de cansaço também, onde a cabeça dói de números e preçários e leis e propostas.

descobri isto. e, por ser tão, bonito, decidi adiar a escrita para amanhã.
por hoje fico só assim, quieta, a ouvir.

(como posso mexer-me enquanto isto toca?)

https://www.youtube.com/watch?v=riudCKh7eLQ


10/01/18

se eu fosse um desenho


este era um desenho que eu gostava de ser.
tem vermelho. tem pássaros. tem pontinhos pequenos que na minha cabeça são tanta coisa.
tem rosáceas. tem corado. tem flores.
tem, pelo menos, uma sobrancelha meia levantada.
e tem música.
uma música que ouço, ao longe, com tecido de infância e cheiro de família.
uma música com cordas, acordes menores e silêncios, em contratempo.
uma música que sei de cor porque ela me sabe a mim. desde o início.

09/01/18

excerto

"Um dia li um livro e toda a minha vida mudou. desde a primeira página, sofri com tanta força o poder do livro que senti o meu corpo apartado da cadeira e da mesa em que me sentava."

Orhan Pamuk, "a vida nova".

08/01/18

Ultimamente tudo me detém.



Ultimamente tudo me detém.
O tanto, o tédio, o tempo tonto e até as particulazinhas de pó que ensaiam uma dança minúscula à luz morna da tarde envergonhada do meu domingo.
Ontem andei a ver os quadros que habitam as paredes da minha casa, de mãos atrás das costas, como fazem certas pessoas em museus.
O ver, assim depurado e vagaroso, reflete-nos por vezes os pormenores que a vista, à primeira vista, não alcança.
Desde o início do ano que ando a prestar mais atenção às coisas que sempre me circundaram, seja numa tentativa de as redescobrir, seja pelo simples facto de que olhos para elas e penso “porra, que seria a minha vida sem ti”.

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