Há coisas que mudamos, na vida,
não porque queremos mas porque a tal somos obrigados.
A vida e as obrigações e as responsabilidades
mudam-nos hábitos e ditam-nos regras.
Óscares. A noite dos Óscares.
Nos meus tempos de adolescente,
era uma noite em tudo similar, em termos de emoção, ao Festival Eurovisão da
Canção, aos dias em que recebia os LPs de MPB que o Sr. Bordalo me trazia do
Brasil ou ao primeiro dia de praia em que a pele respira sofregamente e se abre
para o sol.
Os Óscares eram um nadinha de
tudo isso e mais ainda: magia, luzes, holofotes, elegância, mulheres bonitas,
reconhecimento, eram uma coisa longínqua, que acontecia do outro lado do mundo,
acedível só a quem estivesse acordado toda a noite.
Eu estava. Primeiro, quando
estudava e depois, nos primeiros anos de trabalho. Metia férias para ver os
Óscares. Depois sentava-me no sofá de pijama e lá ficava, a cair de sono, com
sandes de vários andares para me tirar a larica, a torcer por este, por aquela,
a rir-me do outro e embasbacada, a olhar para todos.
Sei que hoje em dia esta coisa
dos Óscares é mais uma coisa de indústria, politica e lobbies do que de mérito.
Acredito que, em alguns casos, assim seja.
Mas rais me peniquem, não é que ainda
continuo a sentir aquela coisa no baixo ventre “da-noite-dos-Óscares”? Ainda me
delicio com os vestidos, as jóias, ainda faço apostas e roo uma unha porque
quero que ganhe este ou aquele.
Já não meto férias. Já não me
entulho de sandes de vários andares antes de ir dormir.
Mas, porra, a primeira coisa que
faço no dia seguinte (à noite dos Óscares) é ligar a rádio para saber como foi.
Há coisas que mudamos, na vida,
não porque queremos mas porque a tal somos obrigados.
Mas também há amores, na vida,
que são para sempre.







