09/12/19

quando se fecha uma porta, alguém te ajudará a abrir uma janela.


06/12/19

sinais dos tempos



phot. Eric Pickersgill

05/12/19

o homem que queria casar com uma senhora de uma fila de trânsito


Catrapumba, pensou ele, ao sair do trabalho.
Agora meto-me no carro, enfio-me numa fila de trânsito até casa e aproveito para ver os perfis dos condutores e ver se alguma alma feminina se ri para mim; quando isso acontece ofereço-lhe o meu melhor sorriso, aquele de lado, a mostrar só a fileira dos dentes de cima.
Se a coisa correr bem e o trânsito estiver infernal, pode ser que dê para abrir o vidro e lançar um piropo engraçado ou um comentário sem interesse.
Se o trânsito estiver mesmo parado porque houve um acidente mais à frente que meteu bombeiros e tudo, pode ser que até dê para sair do carro, oferecer-lhe uma bolachinha e perguntar-lhe coisas mais dela assim do tipo se é casada ou vive com a mãe e com o gato.
Não desisto de encontrar uma moça numa fila de trânsito, já que nas redes sociais não tenho sorte nenhuma.
Ainda um dia hei-de casar com uma senhora de um Mini ou de um Citroen ou de um Fiat Panda pequenino com matrícula anterior a 2000.
A minha esperança nunca morre.

29/11/19

Matthew Bourne , o lago dos cisnes


Matthew Bourne brinda o mundo, em 1996, com a controversa versão de "O lago dos cisnes".

Na sua versão, os cisnes são homens, e a figura central da história um príncipe infeliz, desajustado, rejeitado pela mãe.
Ao encontrar um cisne, fruto ou não da sua imaginação, apaixona-se por ele.
E o resto tem mesmo de se ver.

Com a música sublime de Tchaikovski, entramos numa dimensão onde tudo cabe: sexo, suavidade, reprovação, intensidade, paixão, provocações, ansiedades e desilusões.


"A reinterpretação moderna de Matthew Bourne de O Lago dos Cisnes subverteu a tradição e provocou uma tempestade no mundo da dança. Nunca uma reconstrução contemporânea de um bailado tradicional fez vibrar de igual modo tanto os críticos ardentes como os entusiastas da dança moderna." in RTP

27/11/19

a mulher com a mão pendente

phot. Bigs Vatcharasith


a mulher tem uma mão pendente de qualquer coisa que nem ela sabe.
nunca sabe. 
por isso é que lhe chamam, todos, a mulher com a mão pendente.
talvez hoje apanhe um pássaro. ou uma meia-hora.
talvez hoje agarre uma conversa que ficou a meio,
talvez hoje trave uma porta que alguém bateu com força.

a mulher que tem uma mão pendente de qualquer coisa, hoje, precisa de alcançar uma coisa bonita.

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