05/11/07

aquela mulher que esperava todas as tardes perto daquela ponte esperava um amor profundo tão profundo como as águas daquele rio e às vezes ela comparava-o a elas porque esse amor ficava mais cinzento ou mais azul mas não interessava o que interessava era o amor que lhe crescia no peito e que ela lhe dedicava em silêncio e confiava a saudade à sua almofada e muita gente não acreditava nela mas ela sim ela sentia e um dia até lhe tinham dito esperas demasiado não esperes e também lhe disseram daí só vão sair peixes mas ela riu um riso calmo sem pressa ela era assim nestas coisas do amor tinha calma tinha uma calma que não tinha para quase mais nada porque no resto ela era ávida às vezes aflita mas aquela espera era uma espécie de promessa não cumprida irreal feita por um desconhecido que ela sabia existir e sabia sabia como era o cheiro dele e o toque e até a respiração antes de adormecer sabia isso e sabia outras coisas que as pessoas normais não sabem ler e era por isso que ela o amava assim de uma forma profunda como aquelas águas azuis.
Profundamente.

3 comentários:

Anónimo disse...

gosto, gosto e gosto....

Anónimo disse...

esta foto e este texto fazem-me lembrar um livro que adoro e que infelizmente ainda nao está traduzido para português (pelo menos até há pouco) do escritor Pascal Mercier: Nachtzug nach Lissabon (comboio nocturno para lisboa): começa com o encontro de um professor de grego antigo e latim, Raimund Gregorius, a caminho do liceu(em berna salvo erro) onde dá aulas, com uma mulher, a meio de uma ponte, lendo uma carta que depois amarrota e atira da ponte. a seguir poe-se em bicos de pé e dá ideia que se quer atirar também. gregorius deixa voar o guarda-chuva (chovia) e cair a pasta com os cadernos que se espalham pelo asfalto molhado. entao a mulher dá dois passos na sua direccao e escreve uma serie de números na testa dele...num francês estrangeirado diz-lhe que nao pode esquecer esse nr de telefone e que nao tem papel com ela. acompanha-o ainda até à escola, ele chega a saber qual a língua materna dela, português, mas mais nao. mas é o som da palavra português que o leva a ele, um amante de línguas mortas e inimigo das vivas, a abandonar o liceu no meio de uma aula fazer e iniciar uma viagem até portugal à procura de um autor enigmático do qual leu um livro que encontrou num antiquário. e assim comeca uma busca que o leva a encontrar imensa gente e ele própio também. é um livro escrito com simplicidade mas de uma profundeza incrível, o autor é filósofo também. é um exemplo para mim de literatura no seu expoente. espero que um dia seja traduzido, e bem traduzido. eu li-o no original, em alemao. sei que tb. está traduzido para francês.
mas voltando ao teu post, também gosto como a susana.
beijos, minha querida
marisa

blue disse...

e eu...
:)

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