16/10/08

candy (como lhe chamavam desde os tempos da escola primaria) viveu uma vida cheia, na praia e no campo, em 3 países diferentes, foi mulher de cidade elegante e sofisticada, foi mãe, foi professora exemplar e foi presidente do conselho executivo da associação das mulheres amigas de todos, foi feliz, casou de branco e virgem, teve 6 filhas e 2 abortos, leu centenas de livros e escreveu contos que ninguém leu, teve 12 netos, filiou-se no partido democrata, criou uma irmã deficiente mental, teve o cabelo de 7 cores diferentes, foi sócia honorária da Acedemia de Artes e Letras, aprendeu a pintar a óleo aos 63 anos, escreveu 16 diários com chave e 3 sem chave, bordou bainhas abertas em todas as fraldas das filhas e fez em crochet uma toalha e uma colcha para 8 netas, fez colecção dos livros Europa América, aprendeu ballet e aprendeu cozinha Hindu, teve 2 empregadas de família de quem cuidou, teve 5 melhores amigas desde os tempos de ama, amou com paixão o marido que conheceu aos 8 anos, enterrou mãe, pai, 2 filhas e 1 filho, sogra, sogro, empregadas de família, as 5 melhores amigas, chorou muito mas levantou-se sempre e nunca teve uma única depressão.
matou, sem querer, o marido, numa manhã de primavera, ao dar-lhe a medicação para o coração, repetida e fatal.

3 comentários:

Patti disse...

De um realismo bestial, adorei!

CNS disse...

Muito bom!

um beijo

Anónimo disse...

Adorei!

beijos

marisa

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