30/10/08

fico mais cinzenta no outuno.
e ficando cinzenta tenho vontade de pintar as unhas de cinzento, vestir uma camisola cinzenta, calçar umas botas e usar uma carteira cinzentas,
passear-me acinzentadamente pelo meu dia cinzento,
comer num restaurante todo pardo,
de paredes de lágrimas cinzentas e copos da casa do vidro da marinha grande, cinzentos escuros, tomar um café com a cara encostada à mão, com ar cinzento,
suspirar com ar de ocaso,
dar um passeio outonal pelo passeio alegre e olhar para o mar cinzento
escrever as minhas memórias cinza, valadamente, a cinzento lápis
e deitar-me, já tarde, na minha cama quente
cansada
e adormecer pesada e calmamente
com as pálpebras a pesarem-me de sono.
um peso bom, de cansaço cinzento, que ao dormir
misturo com as outras cores todas
e transformo
num bom dormir
e no dia seguinte, um acordar para outra cor.

3 comentários:

Anónimo disse...

eu também querida prima! para mais por aqui, por estas terras em que os dias se tornam mesmo cinzentos.
gostei!

um beijo cinzento, porque não...

CNS disse...

Tão cheio de cor, este teu cinzento...

beijo

Gasolina disse...

As tuas palavras têm cores tamanhas!
E as que ainda estão por descobrir?

Beijo Laura.

Arquivo