09/06/09

má ou mázinha, depende dos dias

às vezes sinto-me .
e tal traduz-se numa cinestesia que me vai directamente ao nariz porque quando me sinto má tenho comichão no nariz.
nunca tive muita coragem para assumir que me sinto má de vez em quando. nem sei porque é que me sinto assim. não tenho vontade de fazer assim coisas muito absurdas que possam interferir com os outros, não me apetece roubar nem incendiar baldes do lixo, não provoco atentados nem cometo crimes em séerie… será a energia não utilizável, do meu corpo, a querer sair? ou coisa do género?
portanto eu acho que não sou má de verdade senão andava aí a fazer maldades e assim.
o que me acontece é cerrar os dentes, retesar os músculos das pernas, sentir um ronco animalesco a formar-se na garganta como se fosse uma avalanche a formar-se nas montanhas, ver-me de repente com uma energia que me faz sentir capaz de esmagar o meu prédio com o punho cerrado e logo a seguir abro a boca e deixo sair umas asneirolas alto. principalmente quando estou em casa é que elas saem e se as minhas gatas percebessem o que digo não miavam e ronronavam viscosas nas minhas pernas continuamente enquanto, num rosario maldito, eu desfio as asneiras todas que conheço.

também não me passa pela cabeça dizer aos amigos com um ar bem disposto “sabes que hoje me sinto má e só me apetece andar à estalada?”.
não me passa pela cabeça confessar à minha mãe que tenho vontade de esbutenar uns pratos ou partir uma jarra que me foi dada não sei por quem, só porque me sinto mázinha.
e o que é ser má? e mázinha? de que maneira sou má? porque me sinto mázinha?
onde é que descarrego? em quem descarrego?
no trânsito! acontece-me ser má e descarregar nos pintarolas armados em fangios, todos tortos, sentados no assento (devem ter aquela coluna numa miséria) e só com uma mão a agarrar o volante, geralmente chegam com uma chiadela e pensam que me intimidam com a travagem mas estão enganados. deito-lhes o meu olhar de má absoluta e continuam na fila que é uma maravilha.

também gosto daquelas senhoras no supermercado que chegam às filas com um ar de quem não quer a coisa mas que na realidade querem a coisa toda e se metem sorrateiramente à minha frente, na fila, e mexem cheias de tiques no cabelo e fazem de conta que eu não estou ali mas depois descaem-se a olhar-me para os sapatos e para o cabelo e eu lanço-lhes um sorriso resplandecente mauzinho q.b. e dou um passo à frente delas.

isto já para não falar nos empregados das bombas de gasolina que se sentem másculos e julgam que nós temos de aturar isso e então põem uma voz grossa e com a pistola da gasolina na mão dizem com uma voz aflautada e com uma pronúncia tortuosa “quer que encha?”
dá-me logo vontade de lhes entalar a mão no vidro e pisgar-me.
isto tudo para dizer que de vez em quando me sinto má. ou mázinha, depende dos dias.
e hoje apeteceu-me escrever isso.e agora ainda fiquei mais zangada porque fui à net à procura de imagens de “bad girl” e só me aparecem vocês imaginam o quê.

não é nada que eu não saiba já mas há dias que não há paciência…

4 comentários:

PAS[Ç]SOS disse...

e há dias em que mesmo não nos sentindo maus... há pessoas como as dos exemplos citados, e não só, nos fazem ficar. A mim, nessas situações, é muito fácil, num ápice, deixar de ser bonzinho e... virar mauzinho.

Anónimo disse...

que texto "sacana", prima... adorei. e como te entendo!

beijo para a mazona

marisa

jardinsdeLaura disse...

Laura,

Não imaginas como me reconheci neste teu texto!!!
Centenas não, milhares foram certamente os momentos já vividos deste tipo! E como tu não me acho má, mas por vezes sinto-me má, duma forma explosiva mas tão fugaz quanto o rasto duma estrela cadente que de repente... já passou!

pin gente disse...

fizeste-me rir, laura.
também tenho dias assim!
eheheh
nesses dias, costumo dizer que estou neura!
um beijo
luísa

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