19/11/10

Be-Dom (ou a arte da entrega)

Chamar-lhes-ia, antes de tudo, “amigos” e só depois “ musicais”.

Os Be-dom encheram ontem, para gáudio de uma grande massa de gente, o Fórum Cultural de Ermesinde, para mais um espectáculo integrado no 13º MIT - Mostra Internacional de Valongo, organizado pelo EntreTanto Teatro e a Câmara Municipal de Valongo.
Ora eu sou suspeita para falar deles; além de tia e amiga, sinto-me uma espécie de “mãe pequenina”, já que os Be-Dom nasceram de uma produção, em 2000, do Palavras Loucas Orelhas Moucas; espectáculo de rua com música, teatro e dança com a designação“Be”.
Depois disso nunca mais pararam. E ainda bem que não pararam. E todos nós queremos que eles não parem nunca.
O percurso dos Be-Dom é cheio de trabalho árduo e sacrifício mas, porém, muito sucesso.
Já muitos falaram deles e agora chegou a minha vez; mas quero fazê-lo à minha maneira.
Tenho o coração apertado, desde ontem, porque  nele mal cabem o orgulho, a emoção e o encanto que senti por ver aqueles 6 sobrinhos/amigos, com vidas tão distintas e profissões tão díspares, porém, com uma paixão comum, que é maior do que o imenso e maravilhoso pano de fundo do espectáculo: estarem juntos a fazer aquilo que mais gostam.
E aquilo que mais gostam de fazer é: ser Be-Dom’s.
Porque ser um Be-Dom não é só ser músico ou actor. É ser amigo e companheiro. É levar para o palco e para os ensaios uma vontade e uma realização que se materializam, depois, nos diversos números que vão desfiando, nos espectáculos.
Porque está tudo lá, nos espectáculos:
está a perseverança, uma inocência mágica que não se perdeu, o empenho, as longas noites de trabalho, as gargalhadas em contratempo, o surf em terras distantes, os ritmos constantemente aludidos, os aniversários e as férias, as conversas e as sms’s, a comida vegetariana e os trocadilhos entre todos,
está a amizade que perdura há anos e que aparece, sob a forma de acordes, nos temas musicais,
está a cumplicidade que flui por entre cortinas de luzes e a parafernália do material de cena;
está também a “máquina” familiar que cose, opina, vibra e trabalha arduamente com eles.
Os Be-Dom, ontem, mostraram-nos que se pode fazer arte porque se ama, só.
E, de uma forma descontraída e humilde mas sobretudo muito profissional, entregaram-se à sua arte, lavaram-nos a alma e deram-nos música.
No coração.
 

(Crítica do espectáculo dos Be-Dom por ocasião da sua participação no Festival Fringe, em Edimburgo, Agosto de 2010).
http://www.theskinny.co.uk/article/100263-be-dom-udderbellys-pasture

3 comentários:

Nini disse...

E que pena tenho de não ter podido estar presente...

Beijo doce, para ti e para eles...

Anónimo disse...

O comentario está excelente!


AARRRRGGGHHH que pena nao ter podido ir...quanto mais comentários leio mais desapontada fico..mas pra proxima vou, ai se vou...lol

Estratégias de Estudo disse...

Eu fui ver... E o que a Lau diz é tudo verdade!
Hoje em dia estamos tão "ocupados", tantos estimulos a rodear-nos que nos esquecemos muitas vezes de vibrar, sorrir, saborear... Be-dom dá-nos oportunidades destas:)

Arquivo