19/11/10

scut's, arrumadores e nervoso miudinho

Dois infortúnios deparam-se-me diariamente e são particularmente parecidos: estão onde menos espero, querem mesmo é extorquir-me dinheiro e quando os vejo abro o rosário dos palavrões especiais que são ditos em silêncio.

Ora bem, acordo e passada uma hora já estou a gastar dinheiro; feitas as contas, é assim:
Saio de casa, ando uns Km’s e tunga, pago os primeiros cêntimos do dia, na portagem. 30.
Ando mais uns metros e tenho duas hipóteses:
Se for pela direita, arrisco-me a enfrentar uma fila de km’s, graças aos pintarolas que têm a mania que são Fangios e se enfiam descaradamente à frente de todos aqueles que querem cumprir as regras do trânsito; ora, as guinadas perpetradas por tais criaturas contribuem para que as filas intermináveis de estendam, às vezes, mais do que se revelaria necessário; se for por esta via, gasto, portanto, mais gasóleo por causa da fila pára-arranca e gasto nervos, pois vou coladinha ao carro da frente, a controlar aos azeitonas de carros comerciais que querem comer-me por lorpa e espreitam qualquer nesga para se enfiarem, com o corpo todo de lado e os óculos comprados nas áreas de serviço literalmente colados aos olhos.
Se for pela esquerda, avizinha-se-me uma via ampla, quase sem trânsito. Convidativa, claro, mas e porquê? Porque tem nada mais nada menos que 2 pórticos até Matosinhos. Feitas as contas: 30 cêntimos de portagem, 25 cêntimos da scut e mais 25 cêntimos da mesma scut, um bocadichinho mais à frente.
Somando tudo, temos então:
Direita (Fila pára-arranca e azeiteiros) = 30 cêntimos + nervos em franja + gasóleo extra.
Esquerda (via rápida com scut) = 30 + 25 + 25 cêntimos.
Finalmente, quando chego ao trabalho, chateada por causa desta escolha que tenho de fazer diariamente, ainda me aparecem os arrumadores ganzados com a mania que eu não sei estacionar e se põem, no meio da rua, a debitar um vocabulário que a mim me faz alguma comichão:
“Benha, benha, benha, destroça! Ánde, ande, benha, bire tudo, bire tudo. Oupa. Tábom tábom”.
Saio do carro com ar de pouquíssimos amigos e lanço-lhes o meu olhar mais desprezível.
Hoje um arrumador com rabo-de-cavalo disse-me com uma pronúncia inarrável:
- Oriente-me aí uma moedinha…
Nem respondi; fechei o carro e pus-me ao caminho.
- És feia! – Atirou-me ele, de longe.
Fiquei furiosa.
Pago portagens, scuts, enfrento gringos azeitolas, filas e arrumadores inconvenientes e ainda por cima de chamam feia!

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