20/07/11

profundamente


aquela mulher que esperava todas as tardes perto daquela ponte esperava um amor profundo
tão profundo como as águas daquele rio
e às vezes ela comparava-o a elas porque esse amor ficava mais cinzento ou mais azul
mas não interessava o que interessava era o amor que lhe crescia no peito
e que ela lhe dedicava em silêncio.
e confiava a saudade à sua almofada e muita gente não acreditava nela
mas ela sim ela sentia e um dia até lhe tinham dito

- esperas demasiado não esperes
e também lhe disseram
- daí só vão sair peixes
mas ela riu um riso calmo sem pressa
ela era assim nestas coisas do amor
tinha calma tinha uma calma que não tinha para quase mais nada
porque noresto ela era ávida às vezes aflita
mas aquela espera era uma espécie de promessa não cumprida irreal
feita por um desconhecido que ela sabia existir e sabia
sabia como era o cheiro dele e o toque e até a respiração antes de adormecer
sabia isso e sabia outras coisas que as pessoas normais não sabem ler
e era por isso que ela o amava assim de uma forma profunda como aquelas águas azuis.

Profundamente.

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