20/01/12

blá blá blá


Gosto estupidamente de conversar. Seja daquilo que for. Seja com quem for.
Se calhar é por isso que converso com a menina Piedade da Portagem de Águas Santas, com a minha Raquel esteticista e com a minha Aurora empregada.
Tirando isso também converso com a pessoa do lado se viajar de comboio, camionete ou avião.
Com a menina da sapataria e com a funcionária bem maquilhada da Sephora e com a gerente da Guess e com a menina da secção do peixe do Pingo Doce.
Com adolescentes que andam de skate e com poetas desconhecidos.
Adoro pensar que vou conversar com alguém sem saber o que de facto vou conversar.
Gosto é de pensar que vou.
E depois quando converso é o diabo para parar.
Gosto de conversar olhos nos olhos, ao telefone, bêbada de sono, metida no mar do Algarve com água pela cinta.
Gosto de conversar em grupo ou a dois.
Gosto de conversar com as minhas gatas com voz fininha.
Gosto de conversar com a doçura da minha mãe.
Gosto de conversar com as palermices das minhas irmãs.
E gosto de conversar, em jeito de confissão com as amigas.
Não gosto muito de falar com padres. Nem com arrumadores. Nem com empregados de café armados ao pingarelho.
Gosto mais ou menos com taxistas e com freiras.
Gosto de falar com a imagem da Nossa Senhora de Fátima que me acompanha de casa para casa e trato-a por tu e por “Fatinha”.
Gosto de conversar com os tachos e o Gel de Banho.
Não gosto mesmo nadinha de conversar com pessoas que não sabem conversar.
Gosto de conversar com as meninas da caixa do supermercado e com as meninas dos cabeleireiros, que têm um dialeto próprio e raramente usam os “bês”.
Gosto muitíssimo de conversar com mulheres e homens interessantes e adaptar o discurso ao curso da temática conversa.
Gosto de conversar com animais.
Não gosto de conversar no cinema mas adoro conversar na missa.
Gosto de conversar em cozinhas e em aulas de ginástica.
Não gosto nada de conversar em funerais e concertos de música clássica.
Não gosto muito de conversar quando estou amuada.
Gosto muito de conversar com o meu tapete de arraiolos que tem um galo de Barcelos.
Mas o que eu gosto mesmo mais é de conversar com as palavras.



2 comentários:

Nilson Barcelli disse...

E eu gosto de ver a conversa que tens com as tuas palavras.
É obra... mas gostei muito.
Laura, querida amiga, tem um bom fim de semana.
Beijo.

Laura Ferreira disse...

E eu gostei de te ver aqui.

Arquivo